Um novo medicamento, desenvolvido pela farmacêutica Pfizer, demonstrou uma redução de 35,9% no risco de avanço de câncer de mama ou morte pela doença. A descoberta foi publicada na quarta-feira (10) no Journal of Clinical Oncology e apresentada no 48º Simpósio de Câncer de Mama de San Antonio, no Texas, Estados Unidos.

O estudo avaliou a eficácia do medicamento Tukysa (tucatinib) em comparação com placebo, ambos em combinação com outros dois medicamentos — trastuzumab e pertuzumab — como terapia de manutenção para pacientes com câncer de mama metastático HER2+, após terapia de indução com quimioterapia.

Esse é um subtipo da doença caracterizado pela produção excessiva da proteína HER2, que acelera o crescimento das células tumorais e exige terapias específicas. Já o “metastático” se refere ao fato de o câncer ter se espalhado para outras regiões além da mama.

No total, foram 654 pacientes incluídos no estudo, que foram divididos de forma aleatória para receber Tukysa em combinação com trastuzumabe e pertuzumabe ou placebo em combinação com trastuzumabe e pertuzumabe.

Segundo o estudo, a estratégia com tucatinibe proporcionou meses adicionais de estabilidade da doença em comparação ao tratamento padrão isolado, com perfil de efeitos colaterais considerado administrável. A média de sobrevida livre de progressão (o tempo em que o paciente vive sem a doença piorar) foi de 24,9 meses entre aqueles que receberam Tukysa. Já para os pacientes que receberam placebo, essa média foi de 16,3 meses. Isso indica que o novo tratamento aumentou em 8,6 meses o tempo sem avanço do câncer de mama.

“A maioria das pacientes com câncer de mama metastático HER2+ enfrenta progressão da doença em até dois anos após o início do tratamento de primeira linha, necessitando frequentemente de transição para quimioterapia”, afirma Erika Hamilton, principal pesquisadora do estudo e diretora de pesquisa em câncer de mama do Sarah Cannon Research Institute (SCRI), em comunicado.

“Esses resultados demonstram que a adição de tucatinib à terapia de manutenção de primeira linha prolonga o tempo em que as pacientes vivem sem progressão da doença, mantendo um perfil de segurança aceitável, sugerindo uma nova abordagem promissora que pode aprimorar o padrão atual de tratamento para a doença HER2+”, completa.

Para o oncologista Daniel Musse, que participa do simpósio e não esteve envolvido com o estudo, os resultados representam um avanço relevante no manejo da doença.

“Os dados mostram que conseguimos prolongar o controle do tumor sem aumentar de forma significativa os efeitos colaterais. Esse é um ganho real para as pacientes, que passam a ter mais segurança e previsibilidade no tratamento”, afirma.

Musse destaca que, em tumores agressivos, avanços como esse têm impacto direto na rotina das pacientes. “Uma redução de 36% no risco de progressão significa mais tempo com a doença estável, o que se traduz em qualidade de vida, manutenção da rotina e possibilidade de planejamento”, completa.

O medicamento Tukysa ainda não está aprovado para tratamento de primeira linha do câncer de mama. Os resultados do estudo serão discutidos com as autoridades regulatórias, de acordo com a Pfizer. Atualmente, a terapia é aprovada em combinação com trastuzumabe e capecitabina para pacientes com câncer de mama metastático HER2+ em terceira linha.