“Olhando para 2026, uma mudança significativa é o facto de a autenticidade se estar a tornar infinitamente reproduzível”, afirmou Adam Mosseri, CEO do Instagram, na quarta-feira, numa publicação na rede social Threads.
“Tudo o que fazia com que os criadores fossem importantes — a capacidade de serem reais, de se ligarem, de terem uma voz que não podia ser falsificada — está agora subitamente acessível a qualquer pessoa com as ferramentas certas”, acrescentou.
Adam Mosseri destacou a rápida proliferação da inteligência artificial (IA) e alertou para a aproximação cada vez maior do conteúdo sintético daquele produzido pelos humanos. O director executivo mencionou o avanço dos deepfakes e da geração de fotografias e vídeos por IA, que se têm tornado cada vez mais indistinguíveis da realidade.
Apesar do crescimento exponencial da IA, o CEO acredita que os criadores humanos permanecerão essenciais e que a economia dos criadores mostra que o mercado valoriza conteúdos pessoais e autênticos, especialmente num contexto de desconfiança crescente nas instituições, empresas e meios de comunicação.
Neste contexto, Adam Mosseri prevê que a procura por criadores humanos irá aumentar. “A autenticidade está a tornar-se rapidamente um recurso escasso, o que, por sua vez, irá aumentar a procura de conteúdos de criadores, e não diminuir”.
É mais prático perceber o que é verdadeiro do que o que é falso
Mesmo quando se torna mais realista, o conteúdo criado por IA “tende a parecer fabricado de alguma forma”, afirmou. Segundo o CEO, mesmo os conteúdos de alta qualidade carregam sinais de artificialidade — pele demasiado lisa, estética excessivamente perfeita. Assim, a capacidade de um criador de produzir algo genuinamente único será o factor diferenciador.
“A fasquia vai passar de ‘consegues criar?’ para ‘consegues fazer algo que só tu poderias criar?’”, escreveu. “Os criadores bem-sucedidos serão aqueles que descobrirem como manter a sua autenticidade.”
Quanto ao futuro do Instagram, Adam Mosseri defende uma evolução rápida e abrangente, com o desenvolvimento de ferramentas criativas, tanto tradicionais quanto orientadas por IA. “Há já um número crescente de pessoas que acreditam, tal como eu, que será mais prático recolher as impressões digitais dos meios de comunicação verdadeiros do que dos falsos”, afirmou.
“Precisamos de rotular claramente os conteúdos gerados por IA e trabalhar com os parceiros para verificar a autenticidade no momento da captura — capturando as impressões digitais dos meios reais, e não apenas perseguindo os falsos. Precisamos de dar sinais de credibilidade sobre quem publica, para que as pessoas possam decidir em quem confiar”, concluiu.