Reconhecer os sinais precoces de um ataque cardíaco é um dos fatores mais importantes para reduzir a mortalidade, já que o atendimento rápido pode salvar vidasFoto: Reprodução/ND Mais
Um ataque cardíaco raramente acontece “do nada”. Em muitos casos, o corpo começa a dar sinais dias ou até semanas antes do evento, mas eles acabam sendo ignorados, minimizados ou confundidos com problemas menos graves. Cansaço, dor, falta de ar ou desconfortos aparentemente banais podem ser alertas importantes de que o coração está em risco.
Segundo dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no Brasil, matando cerca de 400 mil pessoas por ano, o que equivale a mais de mil mortes por dia e 46 por hora.
Por isso, reconhecer os sinais precoces é um dos fatores mais importantes para reduzir a mortalidade, já que o atendimento rápido pode salvar vidas. A seguir, veja os quatro sinais silenciosos mais comuns que antecedem um ataque cardíaco.
Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir 4 sinais de um ataque cardíaco1. Dor ou pressão no peito
A dor no peito é o sintoma mais conhecido, mas nem sempre se apresenta de forma intensa ou súbita. Em muitos casos, surge como uma pressão, aperto, queimação ou desconforto intermitente, principalmente durante esforço físico ou situações de estresse. Esse quadro é chamado de angina, geralmente causado pelo estreitamento gradual das artérias coronárias devido ao acúmulo de placas de gordura.
Segundo Roger Blumenthal, diretor do Centro Ciccarone para a Prevenção de Doenças Cardiovasculares da Johns Hopkins e professor de medicina na Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins, a angina pode aparecer dias ou semanas antes de um infarto e tende a ser subestimada, principalmente quando a dor não é forte.
A dor no peito é o sintoma mais conhecido, mas nem sempre se apresenta de forma intensa ou súbitaFoto: Imagem gerada por IA/ND
Algumas pessoas descrevem a sensação como “peso no peito” ou “algo apertando por dentro”, que melhora com o repouso e volta depois. Qualquer desconforto torácico recorrente, mesmo que leve, deve ser investigado. Dor no peito não é algo normal e nunca deve ser ignorada.
2. Dor no pescoço, ombro ou mandíbula
Nem todo ataque cardíaco começa com dor no peito. Em muitos casos, principalmente em mulheres, idosos e pessoas com diabetes, o desconforto aparece em áreas menos óbvias. Dor no pescoço, nos ombros, nas costas ou na mandíbula pode ser um sinal de que o coração não está recebendo sangue suficiente.
Essa dor costuma ser difusa, persistente e pode irradiar para os braços, não apenas o esquerdo. Algumas pessoas relatam uma sensação de dormência ou pressão que sobe pelo pescoço ou atinge a mandíbula, sendo facilmente confundida com tensão muscular, problema dentário ou dor cervical.
Nem todo ataque cardíaco começa com dor no peitoFoto: Reprodução/ND
Por isso, dores incomuns nessas regiões, principalmente quando surgem associadas ao esforço físico ou vêm acompanhadas de mal-estar, merecem atenção médica.
3. Falta de ar ou cansaço fora do normal
Sentir-se ofegante após atividades simples do dia a dia, como subir poucos degraus, trocar uma lâmpada ou caminhar curtas distâncias, pode ser um sinal precoce de problema cardíaco.
A falta de ar ocorre quando o coração não consegue bombear sangue de forma eficiente, levando a uma menor oxigenação do organismo.
Além disso, muitas pessoas relatam um cansaço desproporcional, persistente e sem causa aparente nos dias ou semanas que antecedem um ataque cardíaco. Esse sintoma é especialmente comum em mulheres e costuma ser atribuído ao estresse, à rotina intensa ou à falta de sono.
Quando o corpo começa a “pedir menos”, diminuindo a tolerância ao esforço, é um alerta importante de que algo não está funcionando bem.
4. Náuseas, desconforto abdominal e mal-estar geral
Sintomas gastrointestinais também podem estar relacionados a um ataque cardíaco iminente. Náuseas, enjoo, sensação de estômago pesado, dor abdominal, azia ou até vômitos podem ocorrer devido à resposta do sistema nervoso ao sofrimento do músculo cardíaco.
Sintomas gastrointestinais também podem estar relacionados a um ataque cardíaco iminenteFoto: Freepik/ND
Como explica Nikhil Sikand, cardiologista da Yale Medicine e professor assistente da Faculdade de Medicina de Yale, esses sinais costumam confundir ainda mais o paciente, já que muitas pessoas acreditam se tratar apenas de uma indisposição alimentar ou problema digestivo. Em alguns casos, o mal-estar vem acompanhado de suor frio, tontura e palidez.
Embora nem todo desconforto abdominal seja um sinal cardíaco, a associação desses sintomas com outros alertas, como cansaço extremo ou falta de ar, deve ser levada a sério.
O que fazer ao notar esses sinais
Se os sintomas forem súbitos, intensos ou associados, como dor no peito com falta de ar, náuseas ou irradiação para o braço e mandíbula, a recomendação é ligar imediatamente para o serviço de emergência 192 ou 193. O atendimento rápido pode reduzir danos ao coração e salvar vidas.
Em casos de sintomas leves, persistentes ou recorrentes, é fundamental procurar um médico para avaliação. Exames simples podem identificar alterações precoces e evitar um desfecho grave.
Como prevenir um ataque cardíaco?
Embora fatores como idade e genética não possam ser mudados, grande parte do risco cardiovascular está ligada ao estilo de vida. Controlar a pressão arterial, o colesterol e o açúcar no sangue, manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física regular, não fumar e reduzir o estresse são medidas essenciais.
“Depois de sofrer um ataque cardíaco, a probabilidade de uma pessoa ter outro evento cardiovascular no ano seguinte é muito maior . É importante mudar os fatores de risco relacionados aos hábitos de vida e tomar a medicação adequada”, disse Sikand.
Segundo o Ministério da Saúde, os principais fatores de risco para ataque cardíaco são:
- Hipertensão arterial (pressão alta);
- Diabetes;
- Colesterol alto;
- Tabagismo;
- Sedentarismo;
- Obesidade;
- Histórico familiar de doenças cardíacas;
- Alimentação não saudável.