A Coligação dos Dispostos reúne-se hoje, em Kiev, num encontro ao nível dos conselheiros de segurança nacional dos países que integram esta iniciativa internacional de apoio à Ucrânia. A reunião marca a retoma dos contactos políticos e diplomáticos destinados a impulsionar as negociações para o fim da guerra e a definir futuras garantias de segurança para o país.
O encontro foi anunciado pelo Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que adiantou que conselheiros norte-americanos participarão nos trabalhos à distância, através de ligação online. Segundo o chefe de Estado ucraniano, esta reunião assume um papel central na preparação das próximas etapas do processo político e diplomático.
Sequência de encontros culmina com cimeira de líderes em Paris
De acordo com Volodymyr Zelensky, a reunião de hoje será seguida, no domingo, dia 5 de janeiro, por um encontro dos chefes de Estado-Maior de vários países envolvidos na Coligação dos Dispostos. Este formato pretende aprofundar as discussões de natureza militar e estratégica, complementando o diálogo político iniciado ao nível dos conselheiros de segurança.
Já na terça-feira, dia 6 de janeiro, está agendada uma reunião ao mais alto nível da Coligação dos Dispostos, que terá lugar em Paris. Este encontro de líderes reunirá responsáveis políticos da Ucrânia, da Europa e dos Estados Unidos, encerrando um ciclo de vários dias de contactos intensivos sobre o futuro do conflito e os caminhos para um eventual acordo de paz.
Zelensky sublinhou que Kiev está a trabalhar para garantir que estes encontros sejam “produtivos”, acrescentando que o objetivo é reforçar “o apoio político e a confiança” tanto nas garantias de segurança como num eventual acordo de paz.
Países admitem diferentes formas de presença na Ucrânia após cessar-fogo
Paralelamente, responsáveis ucranianos admitem que alguns países da Coligação dos Dispostos estão preparados para discutir formas concretas de presença em território ucraniano após a obtenção de um cessar-fogo ou de uma fase inicial de paz. A informação foi avançada por Ihor Zhovkva, vice-chefe do Gabinete do Presidente da Ucrânia, numa intervenção televisiva.
“Não podemos divulgar detalhes à imprensa, mas existe um número concreto de países [da Coligação dos Dispostos] que afirmam que, depois de a paz ser estabelecida na Ucrânia, ou quando for alcançada uma determinada fase de cessar-fogo, estão prontos para discutir a colocação de certas formas da sua presença”, afirmou Zhovkva.
O responsável esclareceu que essa presença não implica necessariamente o envio de tropas. Segundo explicou, alguns países não estão em condições de disponibilizar contingentes militares, mas podem contribuir com equipamento, comunicações por satélite ou apoio financeiro.
Garantias de segurança continuam no centro das negociações
Ihor Zhovkva referiu ainda o conceito de “Boots and Flags on the Ground”, que prevê uma combinação de diferentes tipos de apoio por parte dos parceiros internacionais, adaptados às capacidades e limitações de cada país. “Aqueles que, por uma razão ou outra, não desejem estar presentes como contingente podem fornecer outros tipos de assistência. O trabalho nesse sentido está em curso”, afirmou.
No plano mais alargado das garantias de segurança para a Ucrânia, o dirigente admitiu que uma das opções em cima da mesa passa pela presença de contingentes estrangeiros, também designados como “forças de apoio” ou “forças multifuncionais”, num cenário pós-conflito.
A reunião de hoje em Kiev assume, assim, um papel decisivo na articulação destas propostas, abrindo caminho para as discussões políticas e estratégicas que terão continuidade nos próximos dias, culminando com a cimeira de líderes da Coligação dos Dispostos, marcada para 6 de janeiro, em Paris.