“Há lugares que marcam uma vida. O Alma foi um deles.” Foi com esta mensagem que o chef Henrique Sá Pessoa comunicou esta sexta-feira, 2 de janeiro, o encerramento do famoso restaurante lisboeta que recebeu duas estrelas Michelin. O espaço fechou portas em definitivo a 31 de dezembro, mas a decisão já tinha sido anunciada em setembro.
O chef de 50 anos explica à NiT que houve vários motivos para tomar esta decisão. Um dos pontos principais passava pelo facto de Sá Pessoa querer ter um espaço em nome próprio — e não uma parceria com outro grupo, como estava a acontecer no Alma.
No verão também já tinha sido anunciada qual seria a localização do novo empreendimento: o Páteo Bagatela. “Queremos estar no centro de Lisboa. O espaço do Chiado era demasiado pequeno para as nossas ambições, não tinha estacionamento e o acesso era, por vezes, difícil. Os clientes tinham dificuldades em chegar ao restaurante”, explica.
Havia, então, um “conjunto de limitações que foram a principal razão”. Sá Pessoa começou a procurar por um novo espaço no centro de Lisboa. Apesar de ter encontrado um edifício maior, o restaurante terá o mesmo número de lugares no interior (36). A equipa será a mesma, mas vai passar a haver estacionamento à porta.
“É uma zona muito central, nem a dois quilómetros do restaurante antigo. Ao fim de 16 anos de restaurante, as pessoas hoje em dia já se deslocam a outro sítio, desde que seja central”.
Embora não revele o nome do próximo estabelecimento (só sabemos que não vai ser Alma), o chef garante que terá o “mesmo ADN” e tentará “melhorar as limitações que havia no restaurante do Chiado”.
Na emocionante mensagem deixada no Instagram, o chef também recordou a longa história do espaço. “Entre Santos e o Chiado foram 16 anos de construção, aprendizagem, erros, conquistas e pessoas incríveis. Este não é um adeus — é um momento de gratidão e consciência”, começou por escrever.
“Obrigado a todas as equipas que fizeram parte deste caminho e às que continuam comigo hoje. Cada um deixou marca. Cada um construiu Alma. Um agradecimento especial ao Daniel Costa, que esteve ao meu lado em quase todo este percurso, e ao Rui Sanches e a todo o Grupo Plateform, pela confiança, pelo apoio e por acreditarem neste projeto ao longo dos últimos dez anos.”
Sá Pessoa conclui a nota afirmando que agora começa uma nova fase da sua carreira, com um novo projeto e identidade, mas com a mesma essência e, acima de tudo, “mais ambição do que nunca”. “Obrigado por estes 16 anos.”
O Alma nasceu em 2009, na zona de Santos, em Lisboa. Ao fim de um ano conquistoua primeira estrela Michelin. Em 2015 mudou-se para o Chiado, onde teve tanto sucesso que, três anos depois, alcançou a tão desejada segunda estrela.