Nasa/JPL-Caltech
Ilustração artística de um exoplaneta em órbita de uma estrela. Essas imagens ajudam a imaginar mundos fora do Sistema Solar.
Você já deve estar bem familiarizado com os planetas do nosso Sistema Solar: Mercúrio, Vênus, Terra, Marte… Mas e os exoplanetas? O nome parece representar algo complexo, mas a realidade é outra. A diferença está, basicamente, no endereço deles!
Os planetas são corpos celestes que orbitam a nossa estrela, o Sol. Já os exoplanetas orbitam outras estrelas, em outros sistemas estelares – ou, em casos mais exóticos, objetos como anãs marrons e até pulsares.
Não sabe o que são anãs marrons? Te explico! Elas são como “estrelas que não deram certo”. Esses corpos celestes nasceram com matéria suficiente para se parecer com estrelas, mas não com energia o bastante para brilhar como o Sol. Ficam num meio-termo entre planetas gigantes, como Júpiter, e estrelas de verdade. Elas costumam emitir um brilho fraco e são difíceis de detectar.
Já os pulsares, são o que “sobra” de uma estrela gigante depois que ela explode em uma supernova. Eles giram muito rápido e mandam feixes de energia no espaço, como uma espécie de farol. Nós conseguimos saber da existência deles porque esses sinais emitidos podem ser captados por radiotelescópios aqui na Terra.
Representação artística / NASA’s Goddard Space Flight Center
Anãs marrons e pulsares também podem abrigar exoplanetas em órbita.
Desde a descoberta do primeiro exoplaneta confirmado em 1992 (que, curiosamente, orbitava um pulsar), essa área da astronomia não parou de crescer. Em 1995, o primeiro planeta fora do Sistema Solar orbitando uma estrela como o Sol foi detectado – uma descoberta tão importante que rendeu aos astrônomos Michel Mayor e Didier Queloz o Prêmio Nobel.
Detecções a todo vapor
Em setembro de 2025, a NASA confirmou um marco: mais de 6 mil exoplanetas foram oficialmente catalogados. Acredite se quiser, o número é “pequeno” considerando o tamanho do nosso universo, mas ainda assim, é uma mina de ouro para a ciência buscar novos dados. Dentro desses 6 mil mundos identificados, a gente encontra Super-Terras, os Júpiteres quentes, mini-Netunos, mundos de lava e até os famosos planetas Tatooine, que orbitam duas estrelas, como o cenário clássico de Star Wars.
Gerado por IA
Infográfico explica o que são exoplanetas, como eles são descobertos e por que esses mundos ajudam a entender a possibilidade de vida fora da Terra
No entanto, detectar um exoplaneta é só a primeira parte do desafio. Muitos objetos que parecem planetas são, inicialmente, classificados como “candidatos”, porque o sinal observado pode ter outras explicações, como interferência instrumental, manchas estelares ou até erros nos dados. Confirmar que se trata mesmo de um planeta leva tempo e exige observações repetidas, com diferentes instrumentos e métodos. É só depois dessa checagem minuciosa que um candidato entra oficialmente na lista da NASA.
2025: um ano agitado na ciência dos exoplanetas
O ano que passou foi um período espetacular para o estudo dos planetas extrassolares. Uma das descobertas mais comentadas foi a do exoplaneta K2-18b, onde o telescópio James Webb detectou sinais de DMS (dimetil sulfeto), uma substância produzida por plânctons na Terra. Será indício de vida? Ainda não dá para afirmar, mas é um indício tentador!
Outro destaque foi a descoberta de mundos que se desintegram: exoplanetas tão próximos de suas estrelas que estão evaporando com o tempo. Um deles possui uma cauda de 9 milhões de km, o equivalente à massa do Monte Everest, sendo perdida a cada órbita.
ESA/Hubble, M. Kornmesser
Atualmente, o K2-18b é o único exoplaneta super-terrestre conhecido por hospedar água e temperaturas que podem sustentar a vida
Também vimos mundos com três sóis, planetas gigantes com órbitas de 300 anos e até um lava world com temperaturas acima dos 1700 ºC. E para quem busca a origem de tudo, também houve detecção de planetas recém-nascidos, com apenas 5 milhões de anos. Praticamente um bebê diante da idade do universo.
A busca por vida além da Terra
O grande objetivo de boa parte dessa pesquisa é encontrar sinais de vida extraterrestre, mas vale destacar: não é qualquer sinal que vale. Os cientistas buscam bioassinaturas inequívocas, ou seja, elementos que só poderiam ser produzidos por seres vivos. A tríade mais cobiçada atualmente é: oxigênio, metano e ozônio. Encontrar esses três juntos em um exoplaneta seria um baita indicativo de vida.
No entanto, existem algumas armadilhas no caminho. Um gás como o metano, por exemplo, pode ser gerado tanto por microrganismos quanto por processos geológicos. Os cientistas têm o desafio de separar esses sinais com precisão, muita paciência e com a ajuda de telescópios cada vez mais poderosos.
O que vem por aí?
Como a necessidade é a mãe da invenção, a próxima década será marcada por instrumentos ainda mais precisos, como o ELT (Extremely Large Telescope), que está sendo construído no Chile e terá 39 metros de diâmetro. Além dele, o aguardado Habitable Worlds Observatory promete revolucionar a detecção direta de exoplanetas semelhantes à Terra.
ESO/G. Vecchia/J. Porte
O maior telescópio terrestre em construção no Chile promete revolucionar o estudo de planetas habitáveis
Com essas ferramentas, pode ser que os cientistas finalmente consigam responder uma das maiores perguntas da humanidade: estamos sozinhos no universo?