Especialista alerta para os riscos da exposição sem proteção e desmonta mitos disseminados nas redes sociais

Médica esclarece 10 dúvidas comuns sobre o uso do protetor solarA repercussão foi tamanha que a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) precisou emitir um comunicado oficial para desmentir as fake news. (Foto: Freepik)

Nos últimos meses, uma onda de desinformação sobre o uso do protetor solar ganhou força nas redes sociais. Conteúdos enganosos, sem respaldo científico, passaram a circular afirmando que o produto faria mal à saúde, seria desnecessário para pessoas de pele negra ou, ainda, aumentaria o risco de câncer.

A repercussão foi tamanha que a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) precisou emitir um comunicado oficial para desmentir as fake news e reforçar a importância da fotoproteção em todas as rotinas diárias, independentemente do tipo de pele ou da intensidade do sol.

Esclarecendo mitos e verdades

Para orientar a população, a médica dermatologista estética e professora do curso de Medicina do Centro Universitário Integrado de Campo Mourão (PR), Tatiane Ayumi Tokashiki, responde às dez principais dúvidas sobre o tema e reforça que o protetor solar segue sendo um dos principais aliados na prevenção de doenças cutâneas.

1. Filtro solar causa câncer?
Mentira. Não há qualquer estudo científico em humanos que comprove aumento do risco de câncer associado ao uso do protetor solar. Ao contrário, décadas de evidências mostram redução significativa dos casos de câncer de pele com o uso regular do produto.

2. Pessoas com pele negra não precisam de protetor?
Mentira. Embora a melanina ofereça maior proteção natural, ela não impede o surgimento de manchas, melasma, fotoenvelhecimento e até câncer de pele, condições que podem ser prevenidas com fotoproteção adequada.

Médica esclarece 10 dúvidas comuns sobre o uso do protetor solarPessoas de pele clara devem preferir FPS 50 ou 70. Protetores com cor oferecem proteção adicional contra a luz visível.
Foto: Freepik)

3. Em dias nublados não é necessário usar protetor solar?
Mentira. Até 80% da radiação UVA atravessa as nuvens, podendo causar envelhecimento precoce e alterações pigmentares.

4. O protetor solar faz mal à pele ou ao organismo?
Mentira. Não existe evidência científica que comprove danos causados pelo uso correto do produto.

5. O protetor solar impede a produção de vitamina D?
Mentira. A síntese de vitamina D ainda ocorre mesmo com o uso do filtro. Exposições breves, de cinco a dez minutos diários, em horários de menor intensidade solar, são suficientes.

6. Gestantes precisam de cuidados extras?
Verdade. Grávidas devem buscar orientação dermatológica, pois a exposição solar pode desencadear manchas e outros problemas cutâneos durante a gestação.

7. Crianças devem usar protetor solar?
Verdade. A fotoproteção deve começar cedo. A partir dos seis meses de idade, o uso diário do protetor é recomendado. Antes disso, bebês não devem ser expostos diretamente ao sol.

Entre seis meses e dois anos, a preferência deve ser por filtros físicos, aliados a chapéus, roupas com proteção UV e evitando os horários mais quentes do dia.

8. É preciso cuidado na escolha do protetor solar?
Verdade. O ideal é optar por produtos com FPS 30 ou superior, com proteção UVA e UVB.

A textura deve ser adequada ao tipo de pele:
– Oleosa: oil free ou toque seco
– Seca: creme ou hidratante
– Sensível: filtros minerais

Pessoas de pele clara devem preferir FPS 50 ou 70. Protetores com cor oferecem proteção adicional contra a luz visível.

9. Posso usar o mesmo protetor no rosto e no corpo?
Embora seja possível, o ideal é utilizar produtos específicos. Protetores corporais tendem a ser mais densos e oleosos, podendo causar acne quando aplicados no rosto.

10. Como usar o protetor solar corretamente?
Para uma proteção eficaz, é fundamental:
– Aplicar a quantidade adequada: cerca de uma colher de chá para rosto, pescoço e orelhas, e três colheres de sopa para todo o corpo;
– Passar o produto ao menos 15 minutos antes da exposição ao sol;
– Reaplicar a cada duas horas ou após suor excessivo, mergulhos ou uso de toalha;
– Utilizar diariamente, inclusive no inverno e em dias nublados;
– Inserir o protetor como último passo do skincare, antes da maquiagem.

“Além do protetor solar, é essencial adotar barreiras físicas como chapéus, óculos escuros, guarda-sóis e roupas com proteção UV. Pessoas que trabalham expostas ao sol devem redobrar a atenção e procurar um dermatologista ao notar qualquer alteração na pele”, orienta Tatiane Tokashiki.