A generalidade dos candidatos presidenciais condenou este sábado de manhã o ataque dos Estados Unidos da América (EUA) à Venezuela, considerando “ilegítima” essa acção e contrária ao direito internacional. Só André Ventura aplaudiu.
“É preocupante que países invadam a soberania de outros e que se resolvam, através da força, determinadas situações”, disse Henrique Gouveia e Melo, considerando que, em termos de cumprimento das regras internacionais, a intervenção militar norte-americana na Venezuela “é ilegítima”.
Perante os jornalistas, o almirante apontou que, em Fevereiro de 2022, contra a Ucrânia, “houve uma operação russa, e agora há uma outra operação, desta vez norte-americana, com o mesmo formato e com o mesmo feitio, para mudar o Governo, independentemente se é legítimo ou não esse Governo” de Caracas.
Mais cauteloso, Marques Mendes considerou ser cedo para tirar conclusões ou “catalogar a natureza” da intervenção e defendeu que a prioridade deve ser a situação da comunidade portuguesa neste país. Ainda assim, o candidato admitiu que “é mais ou menos óbvio que esta intervenção não segue o direito internacional”.
“Não vale a pena negar as evidências, não segue o direito internacional. Já disse que prefiro mudanças pela via pacífica do que pela via violenta, mas os Estados Unidos há muito tempo que indiciavam uma intervenção desta natureza”, afirmou.
Não obstante, o candidato apoiado pelo PSD sublinhou que “há pouca informação”. “Neste momento, os dados que existem são ainda muito incertos. Haverá uma posição americana, por volta das 16h de Portugal, e julgo que há que aguardar esse momento para catalogar a situação”, frisou.
Também António José Seguro, que disse estar a acompanhar “com muita preocupação” a situação na Venezuela, realçou que “as relações entre os Estados devem ser pautadas pelo respeito, pela soberania e pela afirmação do princípio do Direito Internacional”.
O candidato apoiado pelo PS preferiu, no entanto, aguardar “que as autoridades portuguesas se pronunciem sobre, verdadeiramente, o que é que aconteceu e qual é a posição que têm”.
Candidatos pedem condenação ao Governo
Por sua vez, António Filipe exigiu uma “condenação muito contundente” ao ataque, considerando que “não fica pedra sobre pedra do direito internacional” se não existir uma “reacção veemente de defesa do direito internacional e dos valores que devem reger as relações entre os povos”.
Questionado se a situação o afecta particularmente por ter a a mesma “cor política” do regime venezuelano, o candidato apoiado pelo PCP rejeitou, sustentando que a sua “cor política é Portugal”. “Não tenho é dois pesos e duas medidas em matéria de política internacional. As guerras devem ser condenadas onde quer que ocorram”, disse, acrescentando que Portugal deve intervir “no sentido da resolução pacífica de quaisquer conflitos internacionais”
Em declarações na RTP3, António Filipe apontou ainda que “tem de haver respeito pela soberania dos povos”, sinalizando que “não pode haver uma invasão” de um país porque se discorda do seu governo. E acusou os EUA de, a “pretexto de mudanças de regime”, tentarem apropriar-se dos “recursos ” da Venezuela.
Catarina Martins, na mesma linha, defendeu que Portugal “não precisa de ficar à espera da Europa” para condenar de forma inequívoca o ataque, que considerou violar o direito internacional e aumentar “o risco de guerra global”.
Em declarações aos jornalistas, a candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda começou por expressar solidariedade com a população da Venezuela e preocupação, em particular, com a comunidade portuguesa, defendendo a necessidade de assegurar “que todos os meios estão a ser usados” para a sua salvaguarda.
Por outro lado, acrescentou que, enquanto Presidente da República, a sua segunda palavra sobre o ataque realizado hoje em Caracas seria de “condenação inequívoca”.
“Assim como nós não aceitamos que Vladimir Putin diga que vai fazer uma operação especial porque quer ficar com riquezas da Ucrânia, também não podemos aceitar que Donald Trump diga que quer ficar com o petróleo da Venezuela e, por isso, entra pelo país adentro. Isto é semear a guerra global”, sublinhou.
O candidato presidencial Jorge Pinto também apelou ao Governo português que não apoie o que considera ter sido um “ataque ilegal” e mostrou-se preocupado com a população portuguesa no país.
Em declarações aos jornalistas, defendeu que, “independentemente do que se possa achar sobre Maduro e o seu regime”, o “que está em causa é um ataque ilegal ao direito internacional que deve preocupar a todos”.
“Espero bem que do lado português, do lado europeu, da NATO, não haja qualquer apoio a este ataque. Hoje é a Venezuela, quem será amanhã?”, sublinhou o candidato apoiado pelo Livre, destacando que é preciso defender o “direito internacional em qualquer parte do planeta”.
André Ventura foi o único a elogiar a acção de Trump. “O derrube do regime de Nicolás Maduro é um bom sinal para a liberdade em toda a região. E sobretudo é um sinal de esperança para o povo venezuelano e para as comunidades portuguesas ali residentes, que agora poderão viver em democracia e sem o jugo de um ditador narcotraficante”, escreveu na rede social X.