Acompanhe aqui o liveblog com os desenvolvimentos do ataque dos EUA na Venezuela

Horas depois de os EUA terem desencadeado uma série de ataques contra território venezuelano — e já com o anúncio de que o Presidente Nicolás Maduro tinha sido capturado e estaria a ser levado para os Estados Unidos —, os candidatos às eleições presidenciais de 18 de janeiro reagiram à operação militar ordenada por Donald Trump.

Numa primeira reação aos acontecimentos em Caracas, Luís Marques Mendes defendeu a necessidade de “desescalada da intervenção” dos EUA no país. O social-democrata disse estar preocupado “com a comunidade portuguesa na Venezuela”, mas afirmou que, de acordo com as informações que recolheu, “a comunidade está bem, tranquila e serena”.

“Neste momento, julgo que todas a atenções devem esta centradas na comunidade portuguesa e nos esforços diplomáticos”, disse. E acrescentou que a sua “segunda grande preocupação é a preocupação com a desescalada da intervenção” dos EUA. “O modo pacífico de intervenção é sempre melhor que o modo violento. É mais ou menos óbvio que esta intervenção não segue o direito internacional. Prefiro mudanças pela via pacífica, mas os EUA há muito tempo que indiciavam uma intervenção desta natureza.”

Marques Mendes fez ainda questão de lembrar que a União Europeia “nunca reconheceu as eleições últimas na Venezuela e que tem, também, um afastamento enorme do regime”. “É tudo ainda muito incerto. O que vai acontecer a seguir? Uma mudança de presidente, de regime, uma revolta na Venezuela? Ainda ninguém sabe. Neste momento, há que ter muita prudência em tudo o que se diz e faz”, rematou o candidato a Belém.

António José Seguro disse também estar a acompanhar os desenvolvimentos da intervenção militar dos EUA na Venezuela e referiu-se, num primeiro momento, aos “cerca de meio milhão de portugueses a viver” no país.

Depois, admitiu que poderia estar em causa uma violação do “princípio da defesa do Direito Internacional”. “Estou a recolher informações. Neste momento, ainda não tenho informações fidedignas. Espero voltar a falar sobre este assunto ao longo do dia. Mas há um princípio que eu quero aqui sublinhar: que é o princípio da defesa do Direito Internacional“, vincou. Para o candidato presidencial, “as relações entre os Estados devem ser pautadas pelo respeito, pela soberania e pela afirmação do princípio do Direito Internacional“.

Gouveia e Melo lembra que já teria deixado alertas sobre o “abalo” das relações internacionais e diz ser “preocupante que países invadam a soberania de outros”, numa das posições mais críticas sobre a ação — que considera “não legítima” dos EUA em território venezuelano.

“Em março de 2024, há mais de um ano, escrevi um artigo a dizer que estávamos numa nova realidade política depois das invasões da Ucrânia e que essa realidade com a administração Trump iria piorar porque as relações internacionais iriam sofrer um grande abalo. Cá estamos nós, nesse processo neste momento e é preocupante que países invadam a soberania de outros“, afirmou Gouveia e Melo, numa ação de pré-campanha este sábado em Queluz em reação aos ataque dos EUA à Venezuela.

O candidato presidencial disse ainda estar preocupado com a comunidade portuguesa na Venezuela e espera que a situação se resolva “sem vítimas”. “Houve uma operação Z russa e há outra operação americana com o mesmo formato e o com o mesmo feitio para mudar o governo, independentemente de ele ser legítimo ou não”, acrescenta. Para Gouveia e Melo, Portugal deve ter um “posicionamento de cautela” em relação a uma operação que considera “não legítima” à luz dos tratados internacionais.

Também candidata às presidenciais, Catarina Martins criticou o silêncio da União Europeia. “Espero que nas próximas horas haja uma posição clara de condenação”, apelou. “Portugal deve condenar o que está a acontecer e esta operação e salvaguardar a comunidade portuguesa na Venezuela”, começou por apelar Catarina Martins que na manhã deste sábado esteve em Olhão numa ação de pré-campanha.

“Espero que nas próximas horas haja uma posição clara de condenação. Os valores europeus são a defesa da paz e exijo que a UE condene o que se está a passar. Donald Trump é um risco de guerra global. Portugal não deve esperar e a Europa não pode continuar a esperar”, acrescentou a candidata presidencial. Catarina Martins diz ainda que tal, como “não aceitamos que Vladimir Putin diga que vai fazer uma operação” para invadir território ucraniano, a recusa deve estender-se ao que está a acontecer na Venezuela.

João Cotrim de Figueiredo considerou também que a ação dos EUA é “criticável”, mas assinala que a “comunidade internacional não soube lidar com a ditadura na Venezuela”. O candidato presidencial sublinha que a “ação militar não foi precedida de qualquer consulta ou diálogo” com qualquer instituição. E afirmou que “qualquer infração ao direito internacional é, por si só, criticável”.

Contudo, o liberal fez ainda questão de frisar que “a comunidade internacional não soube lidar com uma ditadura na Venezuela, que há demasiado tempo oprime o povo venezuelano e que usurpou as eleições de há 2 anos”. Cotrim espera ainda que a normalidade se reestabeleça rapidamente, de forma a que “o povo venezuelano possa expressar a sua opinião livre relativamente ao futuro” e que “isso corresponda a um período de paz”.

Enquanto candidato presidencial, o antigo líder da Iniciativa Liberal lembrou ainda que o Presidente da República “deve ser o garante de que os valores próprios de Portugal e da UE são aplicados”. Portugal — que tem cidadãos “espalhados” por todo o mundo — deve “garantir que os portugueses sentem que Portugal está sempre pronto para os os ajudar nestes momentos”, rematou.

Já o presidente do Chega, André Ventura, escreveu no X que o “derrube do regime de Nicolás Maduro é um bom sinal para a liberdade em toda a região”. O candidato presidencial afirmou que a deposição de Maduro é um “sinal de esperança para o povo venezuelano e para as comunidades portuguesas ali residentes”. E remata: “Agora, poderão viver em democracia e sem o jugo de um ditador narcotraficante.”

Jorge Pinto, candidato apoiado pelo Livre, considera que este foi um “ataque ilegal ao arrepio do Direito Internacional” e espera que, “do lado de Portugal, Europeu e dos outros países da NATO, não haja qualquer apoio ao ataque”. Afirmando que a sua primeira preocupação é para com a comunidade portuguesa, Jorge Pinto deixou ainda uma mensagem ao governo português: “Espero que os responsáveis portugueses sejam muito claros no repúdio a esta ação, porque ela, muito em breve, pode virar-se contra nós.”

O candidato comunista António Filipe também exigiu uma “condenação” deste ataque. Este, que foi o último dos candidatos a Belém a reagir, defende que “as guerras devem ser condenadas, onde quer que ocorram”. “O que está aqui em causa é a apropriação dos recursos minerais e petrolíferos da Venezuela. Isso é uma evidência”, apontou, acrescentando que “tem de haver respeito pelas soberanias dos povos”.

António Filipe argumentou ainda que “não pode haver uma invasão de um país soberano só porque discordamos do governo desse país”. E esclareceu que a Venezuela não é da sua cor política: “Esse país não é da minha cor política, a minha cor política é o nosso país, é Portugal. Eu não tenho é dois pesos e duas medidas.”

Notícia atualizada às 13h50 com reação de Jorge Pinto e António Filipe