Sem condenações, o primeiro-ministro defendeu neste sábado que os Estados Unidos da América (EUA), que atacaram a Venezuela e capturaram o presidente Nicolás Maduro, estão a promover uma “transição estável” no país. Secundando a posição de Luís Montenegro, o ministro dos Negócios Estrangeiros vê a situação como “uma oportunidade de a Venezuela regressar ao trilho democrático” e classifica as “intenções” norte-americanas como “benignas”.

Após uma reunião com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, o primeiro-ministro reiterou estar a “acompanhar em permanência e desde o primeiro momento a situação na Venezuela, com atenção particular à segurança e ao bem-estar” da comunidade” portuguesa.

“A embaixada de Portugal em Caracas e a rede consular no país estão plenamente mobilizadas para acompanhar os nossos concidadãos”, assegurou, numa publicação no X, em que se mostrou focado no “futuro e no restabelecimento de uma democracia plena onde os venezuelanos escolham livremente o seu futuro”.

Sublinhando que Portugal não reconheceu “os resultados das eleições [presidenciais] de 2024” da Venezuela, o líder do Governo disse tomar “nota das declarações e garantias do Presidente Donald Trump” e constatar “o papel dos EUA na promoção de uma transição estável, pacífica, democrática e inclusiva na Venezuela com a maior brevidade possível”.


Por sua vez, Paulo Rangel disse querer contribuir para que se “avance rapidamente” com uma “transição democrática na Venezuela”, defendendo que a nomeação de Edmundo González como Presidente, “a prazo, é a solução aceitável e preferível”.

Numa declaração aos jornalistas no Palácio das Necessidades, o ministro de Estado vincou que a “primeira preocupação” do Governo é “a comunidade portuguesa” na Venezuela, que considerou ter “sofrido muito” com as “ditaduras” de Hugo Chávez e Nicolás Maduro.

O governante destacou que os portugueses em solo venezuelano mantiveram “grande serenidade, maturidade e expectativa” durante o ataque dos EUA. E defendeu que, “para muitos”, o dia de hoje “representa, apesar da incerteza desta hora e dos próximos dias, uma oportunidade de a Venezuela regressar ao trilho democrático”.

Não há feridos nem danos patrimoniais

Assegurando que o Estado está a “dar assistência” aos portugueses, o ministro deu ainda conta de que “não há registo” de feridos e danos patrimoniais. Mas, apesar disso, e de considerar que a situação em Caracas não parece “muito complexa”, recomendou “cautela e prudência”.

Olhando para o futuro, Paulo Rangel considerou que Portugal deve “acautelar o interesse da comunidade portuguesa“, mas também de “trabalhar com os parceiros internacionais para construir uma solução democrática, estável, que possa devolver prosperidade e tranquilidade a Venezuela”.

Recusando que o actual presidente venezuelano possa regressar à liderança do país, apontou a nomeação de Edmundo González, opositor de Maduro que alega ter vencido as eleições presidenciais de 2024, como essa solução.

Questionado sobre se reconhece a legitimidade do ataque dos EUA, o governante não respondeu directamente. Sinalizou apenas que há quem defenda que a agressão é “não conforme ao direito internacional” e quem sustente que “pode haver um grau de legitimação”, tendo em conta a “ilegitimidade de Nicolás Maduro” enquanto presidente. Ainda assim, argumentou que as “intenções” dos EUA foram “benignas”.

O ministro dos Negócios Estrangeiros pediu também a libertação dos cinco presos políticos luso venezuelanos.