Portugal juntou-se a Espanha e à Itália, os três países com comunidades mais expressivas na Venezuela, para assegurarem, no quadro da União Europeia, que estão prontos para ajudar o país ‘intervencionado’. Ministro diz que Portugal considera Edmundo González como a melhor solução.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, disse que a intervenção dos Estados Unidos na Venezuela esta madrugada não terá sido feita à luz de todos os preceitos das leis internacionais – “como aliás foi salientado em comunicado esta manhã” – mas também é necessário que se diga que “o regime de Nicolás Maduro também não tinha legitimidade”. Afirmando que primeiro-ministro, Presidente da República e o Ministério dos Negócios Estrangeiros estão a acompanhar em comum a situação na Venezuela, Rangel disse que a primeira preocupação” de todos os envolvidos é o restabelecimento da democracia. Recordando que a comunidade portuguesa está há muito confrontada com muitas dificuldades, sempre respondendo com qualidade, Paulo Rangel disse que a resposta foi desta vez de grande serenidade, apesar também de com forte expectativa.

Juntamente com o corpo diplomático português na Venezuela, o Ministério está em constante sintonia para perceber quais são as carências e as prioridades da comunidade – que são, repetiu, a sua principal preocupação. Sendo certo, disse, que não há qualquer registo de problemas com qualquer membro da comunidade. “Continuamos a recomendar, uma vez que há incerteza em Caracas”, uma atenção especial nos próximos dias. “Há cinco presos políticos que são luso-venezuelanos”, recordou Paulo Rangel, “o que é uma coisa que nos preocupa”.

Em articulação com o governo português “e com um diálogo muito intenso com Itália e Espanha, aquilo que o governo português espera é que possamos avança rapidamente para trazer á Venezuela a democracia. Estaremos com os Estados Unidos e com as autoridades de transição que se venha a formar para construir uma solução democrática que possa trazer estabilidade à Venezuela”, afirmou Paulo Rangel. Admitindo que “a situação é tensa”, Rangel disse que “a nossa preocupação é fazer tudo para que desta situação saia um governo, uma presidência democrática”. O ministro recordou que Portugal nunca reconheceu o governo de Nicolás Maduro – pelo menos no seu último mandato. “A nossa preocupação são as comunidades portuguesas, sendo certo que ninguém quer o regresso de Maduro. O regresso de Maduro tornaria legítimo o governo?”, perguntou. “Não”, respondeu a si próprio.

Para Paulo Rangel, Edmundo González, que concorreu às presidenciais de verão de 2024 e perdeu segundo a Comissão Eleitoral mas ganhou segundo o resto do mundo, “como solução é perfeitamente aceitável, é talvez a preferível”. “Mas neste momento a situação não é clara. Será com certeza um presidente legítimo. Não excluo a possibilidade de outras eleições. A solução mais breve para retomar a legitimidade democrática é colocar na presidência o legítimo vencedor das eleições” do verão de 2024.

A influência de Portugal e dos países europeus que têm comunidades importantes é, neste quadro, muito importante, sublinhou. Para Paulo Rangel, a pacificação vai com certeza implicar contactos com o regime e com a oposição, pelo que a posição dos Estados Unidos de se manter na Venezuela faz sentido. “Estamos disponíveis para cooperar na construção de uma solução política e democrática”, finalizou Paulo Rangel, que se apressou a deixar a conferência de imprensa, deixando por certo muitas perguntas sem resposta.