O Benfica venceu, neste sábado, o Estoril, num desfecho tão difícil quanto saboroso. Perante uma das boas equipas do campeonato, as “águias” triunfaram por 3-1 mas tiveram dificuldades em “domesticar” os “canarinhos”. A vitória, contudo, significa o regresso aos triunfos dos homens de José Mourinho depois do empate em Braga e, mais importante do que isso, a recuperação de dois pontos face ao Sporting (fica a três de diferença). Já em relação ao FC Porto (com dez de vantagem), há que esperar por aquilo que os “dragões” farão neste domingo, nos Açores, perante o Santa Clara.
O Benfica já sabia que ia ter dificuldades frente ao Estoril. A equipa orientada por Ian Cathro é uma das que joga bem na Liga portuguesa e de forma descomplexada, independentemente de quem seja o opositor. Os frutos disso mesmo estão na posição que ocupa na classificação – um tranquilo 9.º lugar.
O que faltava saber era que Estoril ia surgir no Estádio da Luz. Se o que derrotou o Sp. Braga e perdeu apenas pela margem mínima contra FC Porto e Sporting, se aquele que foi goleado pelo Famalicão ou empatou com o Tondela.
E os minutos iniciais deram a sensação de que seria a melhor versão dos estorilistas aquela que o Benfica teria pela frente. Logo após o primeiro minuto do jogo, Begraoui trabalhou bem na área “encarnada” e rematou para grande defesa de Trubin – na recarga, Pedro Amaral cabeceou à malha lateral.
Um grande susto para os benfiquistas que continuaram sob pressão durante os primeiros dez minutos de jogo, com o Estoril a ter capacidade de colocar muita gente na frente, criando lances de perigo e dificultando a saída dos “encarnados”, que foram optando por lançamentos longos, a maior parte deles anulados por uma linha defensiva do Estoril possante (Pavlidis teve muitas dificuldades em “entrar no jogo” nesta fase da partida).
Só aos poucos o Benfica foi capaz de recuperar o controlo do jogo e muito graças a Prestianni. O argentino, que surgiu no “onze” titular no lugar de Aursnes, foi o principal desequilibrador do futebol benfiquista no primeiro tempo, com as suas arrancadas. Foi ele que conseguiu ir puxando a equipa para a frente, incomodando a defesa do Estoril e, aos poucos, os homens da casa começaram a construir jogadas de golo.
Mas foi preciso um penálti para o marcador ser inaugurado. Depois de o árbitro da partida ter mandado seguir, o VAR chamou-o considerando que Marquéz cortou um lance que envolveu Otamendi na área dos “canarinhos” com a mão – Pavlidis não falhou e fez o 1-0 à passagem da primeira meia-hora.
O Benfica estava “por cima” no jogo e um excelente passe de Leandro Barreiro ofereceu a Pavlidis a ocasião de dilatar a vantagem, o que o grego não esbanjou, aguentando primeiro a carga do seu opositor directo e, de seguida, fazendo um “chapéu” perfeito sobre Joel Robles.
Estava-se praticamente sobre a hora para o intervalo e os benfiquistas pensaram que o segundo golo de Pavlidis no jogo poderia oferecer alguma tranquilidade para o segundo tempo. Mas dois minutos depois o Estoril fez questão de desfazer essa ideia, já que, em mais uma jogada em que conseguiu colocar muita gente na área “encarnada”, o emblema da linha reduziu a desvantagem por intermédio de João Carvalho.
A segunda parte começou nos mesmos moldes da primeira. Mais posse de bola dos “encarnados”, muita ousadia dos “canarinhos”. Mas à medida que o tempo foi passando, os homens de José Mourinho, com uma curta vantagem na mão, foram preferindo jogar mais na expectativa. A equipa “encarnada” não se importava de, em determinados momentos, dar o controlo do jogo ao Estoril, tentando, em saídas rápidas para o ataque, surpreender o adversário. Um risco que os benfiquistas pareceram estar dispostos a correr.
Guitane e João Carvalho ainda ameaçaram por duas vezes a baliza de Trubin, mas com maior ou menor dificuldade as “águias” foram conseguindo controlar as operações, permitindo até a José Mourinho estrear Sidny Lopes, reforço de Inverno, a um quarto de hora dos 90’. E foi precisamente o ex-Estrela da Amadora que fez a assistência para Pavlidis, que carimbou o seu “hat-trick” e “matou” o jogo.