A época não podia ter começado de melhor forma na Liga, o ano civil fechou com o primeiro e único deslize na segunda metade de 2025. Depois de uma série de dez vitórias seguidas no Campeonato, numa sequência que “apagava” a derrota na final da Supertaça e a eliminação na Taça do Rei, o Al Nassr não foi além de um empate frente ao Al Ettifaq, num encontro em que o conjunto de Riade esteve a perder, conseguiu chegar à reviravolta com golos de João Félix e Cristiano Ronaldo mas acabou por consentir a igualdade a dez minutos do final. Com isso, o Al Hilal conseguiu aproximar-se da liderança. Com isso, a luta pelo título ficou em aberto. Com isso, a deslocação a Jedá para defrontar o campeão continental Al Ahli ganhava um outro peso.

Só Cristiano e João não chegam para manter o encanto na hora da despedida: Al Nassr empata em casa do Al Ettifaq com golos portugueses

Antes tinha sobrado a irritação de Jorge Jesus na conferência de imprensa após o empate com o Al Ettifaq. “Hoje o Al Nassr não ganhou… pfff… Fazem-me perguntas de dúvida do valor, individualmente ou da equipa. Uma equipa que está na frente [da Liga], que tem dez vitórias, e estão aqui a pôr questões do quê? Falem do jogo. O Al Nassr jogou bem ou não? Foi a melhor equipa ou não? O Al Nassr teve 22 remates, vários cantos, foi uma equipa sempre ofensiva. O adversário teve o mérito de com dois remates à baliza ter marcado dois golos. O Al Nassr demonstrou qualidade, como tem demonstrado, mas não conseguiu ganhar. E estão aqui a colocar questões de bla, bla, bla“, soltou o técnico português a propósito das dúvidas sobre a equipa.

Apesar desses dois pontos perdidos, a par de um João Félix que teve uma adaptação rápida à nova realidade na Arábia Saudita com 19 golos e seis assistências em 21 encontros, Cristiano Ronaldo mantinha a série de jogos consecutivos a marcar e/ou assistir, algo que vinha desde a derrota no final de outubro com o Al-Ittihad num total de sete golos e uma assistência nas últimas seis partidas, o último dos quais… com as costas, num desvio inadvertido de um remate do companheiro português que acabou por enganar Marek Rodák. Agora, no arranque do 25.º ano como jogador profissional desde a estreia no Sporting, começava tudo “de novo”.

“Não importa onde jogue, no Médio Oriente ou na Europa. Quero sempre ganhar mais troféus e quero ir ao número que todos sabem. Estou seguro de que chegarei lá se não tiver lesões. Às vezes é duro continuar a jogar mas mantenho a paixão e motivação para isso”, comentou o avançado na recente eleição dos Globe Soccer Awards. “Se me perguntas ‘Cristiano, é um sonho ganhar o Mundial?’, não, não é um sonho. Ganhar o Mundial não vai mudar o meu nome na história do futebol, não vou mentir. Ganhar uma prova de seis ou sete jogos, achas que é justo para definir o legado de um jogador? Não, não é”, comentara também numa entrevista recente ao jornalista britânico Piers Morgan – sem deixar de querer ganhar o Mundial, claro. No entanto, e pelo menos nessa corrida ao golo 1.000, o tempo terá de esperar: o português travou essa série de jogos consecutivos a contribuir para golos e não conseguiu evitar a primeira derrota do Al Nassr.

O encontro começou com o Al Ahli a mostrar ao que vinha, numa jogada em que Nawaf Alaqidi defendeu um primeiro remate de Al-Buraikan isolado na área antes de Matheus Gonçalves acertar na trave na recarga (1′). Não foi aí, foi pouco depois: Galeno foi lançado nas costas de Sultan Al-Ghannam, ganhou em velocidade e cruzou rasteiro para o 1-0 de Ivan Toney (7′). Os visitados estavam em vantagem, os visitantes nem por isso conseguiram perceber as debilidades que entroncavam nas forças do Al Ahli e Ali Majrashi, de novo depois de um passe de Galeno, ficou muito perto de aumentar a vantagem (11′). O Al Nassr enfrentava os seus 20 piores minutos na Liga saudita, num cenário que se tornou ainda pior a meio da primeira parte com Ivan Toney a explorar a profundidade partindo antes do meio-campo para se isolar e fazer o 2-0 (20′).

Da mesma forma como o líder da Liga saudita domina os adversários e consegue estar sempre perto do golo, agora era dominado e não conseguia sequer uma aproximação de perigo ao último terço. Apesar disso, houve uma “ajuda” externa para equilibrar o encontro: Abdulelah Al-Amri subiu para ganhar uma segunda bola, arriscou a meia distância forte mas ao meio da baliza e Abdulrahman Al-Sanbi, suplente de Mendy que está agora na CAN, deixou passar a bola pelo meio das pernas (31′). Estava dado o mote para a viragem no jogo, que ainda teve a primeira oportunidade de João Félix com um remate cruzado defendido com o pé por Al-Sanbi, uma segunda oportunidade de Ronaldo com um desvio de cabeça ao segundo poste que passou perto da trave e com o empate em cima do intervalo, de novo com Al-Amri a marcar após canto (44′). Toney ainda podia ter feito o hat-trick nos descontos, acertando no poste, mas o choque do avançado com Nawaf Alaqidi a deixar o guarda-redes do Al Nassr atordoado mas a querer ficar na mesma em campo (45+3′).

A segunda parte começou a um ritmo mais baixo do que a primeira, com o Al Ahli a tentar desligar a forma como o Al Nassr tinha terminado a metade inicial para ir depois à procura de nova vantagem que chegou na bola parada, com Ivan Toney a ir buscar um cruzamento ao segundo poste em cima da linha para Demiral marcar de cabeça (55′). Só mesmo nos últimos 20 minutos voltou a aparecer o Al Nassr, com Brozovic a ter um remate em zona central por cima (81′), João Félix a fazer uma tentativa que bateu ainda num adversário antes de ficar nas malhas laterais (84′) e Ronaldo a desviar de cabeça um cruzamento da direita ao lado (86′), mas era demasiado tarde para anular a desvantagem num encontro que chegou aos 12 minutos de período de descontos com duas expulsões à mistura de Ali Majrashi (90+6′) e Nawaf Boushal (90+9′) e que ficou marcado por uma oportunidade flagrante de Ronaldo na área… onde se atrapalhou com a bola.