Hannah Roddam-Kitt, por sua vez, destaca a adaptação do povo português a um instrumento tão associado a burocracia: “Como os europeus e os portugueses não tinham uma associação divertida com as cabines, é algo novo aqui. Não é a primeira vez que uma cabine fotográfica está aqui, mas é a primeira vez que é uma experiência nova e divertida. E tem sido muito interessante ver os portugueses, principalmente os mais jovens, a entrar. E é como se eles estivessem a experimentar cabines fotográficas pela primeira vez“, explica, acrescentando que, apesar de a maioria dos clientes serem turistas que vão de propósito ao Machimbombo para tirar uma fotografia na Rhonda, há cada vez mais locais a aderir e a olhar para aquela tira a preto e branco como um souvenir daquele momento.

Esse é vivido de forma diferente quer se vá sozinho ou acompanhado. Para Hannah a coragem de entrar sozinha numa cabine de fotografia é maior do que quando se vai com um amigo ou namorado, onde a dinâmica chega a ser performativa, com “caretas e línguas de fora”, uma vez que, a experiência do cliente apenas e só com a máquina é “como uma forma de auto-exploração e documentação, é um ato de intencionalidade”, afirma, sustentada por Mauro que descreve aquele como “o seu espaço íntimo” a partir do momento em que se fecha a cortina: “Quando se está sozinho, sai e a foto é nossa. Não há duplicadas, nada, é só nossa. Acho que é isso que dá às pessoas essa sensação de libertação. Posso ser eu mesmo neste espaço”. “É tão incrível que as pessoas possam fazer isso através desta máquina, deste robô histórico antigo. É louco”, acrescenta Hannah.

Há, no entanto, quem nem sempre tenha uma boa experiência numa cabine fotográfica, e, neste caso, analógica. “As cabines fotográficas são mais projetadas para pessoas brancas”, começa por dizer Mauro antes de se aventurar pela memória da primeira vez que entrou numa. Estava no Luxemburgo com a namorada quando pensaram em ter um momento romântico de casal numa photobooth. Entraram, fecharam a cortina, pagaram, sorriram e quando foram ver o resultado final, saiu “muito mal” para Mauro: “Basicamente notava-se a minha namorada e a mim não. Estava muito escuro”. Deram uma segunda oportunidade e, quando o resultado foi o mesmo, o técnico e fotógrafo decidiu que não voltaria a entrar numa cabine fotográfica. “Na Rhona procuramos especificamente que as configurações sejam equilibradas, porque nas cabines fotográficas analógicas as configurações são fixas. Não é uma falha humana, é uma falha de design”, revela Hannah, acrescentando que, ao contrário do que muitas vezes vê nas redes sociais, com testemunhos de pessoas negras a acusarem as cabines fotográficas de serem experiências racistas, a Rhonda é já conhecida por ser “uma aliada”. “Há limitações no que podemos fazer, mas eu não me importo que façamos a minha cabine fotográfica para as pessoas brancas parecerem um pouco mais desbotadas e mais brilhantes, se pessoas como o Mauro puderem parecer mais ou menos consigo mesmas”, revelou.