Siga aqui o nosso liveblog com os desenvolvimentos da captura de Nicolás Maduro
“É um inferno na Terra.” É assim que é descrito o Centro de Detenção Metropolitano de Brooklyn, no estado norte-americano de Nova Iorque, onde o Presidente deposto venezuelano, Nicolás Maduro, está detido desde este domingo de madrugada após ser capturado por militares dos Estados Unidos em Caracas. A prisão é tida como uma das piores a nível federal e já por lá passaram várias celebridades e antigos líderes estrangeiros.
O antigo barão da droga mexicano El Chapo, a ex-namorada de Jeffrey Epstein Ghislaine Maxwell, condenada a 20 anos de prisão por liderar uma rede de pedofilia, o rapper Sean ‘Diddy’ Combs, acusado de tráfico e abusos sexuais, R. Kelly, condenado por gerir uma rede de tráfico sexual, e o antigo Presidente das Honduras, Juan Orlando Hernández, condenado por narcotráfico (e libertado no início de dezembro, após ter recebido um perdão de Trump) e, entre outros Luigi Mangione, autor do assassinato do CEO da UnitedHealthcare: todos estes reclusos já passaram pelo Centro de Detenção Metropolitano de Brooklyn.
Atualmente, o Centro de Detenção Metropolitano de Brooklyn é o único estabelecimento prisional federal da cidade de Nova Iorque e alberga cerca de 1.600 reclusos de ambos os sexos. É usado para a detenção provisória de quem aguarda para ser presente a juiz (como Nicolás Maduro), por um julgamento ou pela leitura da sentença em tribunais, sempre no âmbito federal e não estatal.
As condições para os reclusos são descritas como precárias. Em declarações à CNN Internacional, na altura em que Sean ‘Diddy’ Combs esteve detido no Centro de Detenção Metropolitano de Brooklyn, o antigo advogado de Donald Trump — que também foi um recluso nesta prisão —, Michael Cohen disse que as condições eram “repugnantes”.
De acordo com Michael Cohen, as camas são de “aço”, os colchões são finos com apenas “quatro centímetros de espessura”, não há almofadas e as celas são pequenas com paredes brancas — é nestas condições que os reclusos, incluindo Nicolás Maduro, vivem no Centro de Detenção Metropolitano de Brooklyn.
O estabelecimento prisional é também descrito como sendo problemático, havendo registo de vários assassinatos dentro do centro de detenção. Em 2024, por exemplo, o recluso Edwin Cordero morreu na prisão durante uma rixa. O advogado que o representava, Andrew Dalack, referiu ao New York Times que a sua morte não “tinha sentido”, lamentando que o cliente tivesse sido “mais uma vítima de uma prisão sobrelotada e com falta de pessoal”: “É um inferno na Terra”.
Os guardas prisionais também são acusados de promoverem violência. Citado pelo jornal Telegraph, o antigo diretor da prisão, Cameron Lindsay, admitiu que é um estabelecimento prisional “problemático” com um “histórico único de má conduta por parte dos funcionários”. Em 2007, 11 guardas foram acusados de agredir brutalmente reclusos. Mais de uma década depois, em processos concluídos em 2018, três funcionários foram condenados por abusos sexuais a várias reclusas.
O inverno costuma ser o período mais difícil no Centro de Detenção Metropolitano de Brooklyn, devido ao frio que se faz sentir em Nova Iorque. Há seis anos, em janeiro de 2019, uma falha do sistema elétrico dentro da cadeia levou a que os reclusos estivessem às escuras e sem aquecimento durante uma semana, numa altura do ano em que as temperaturas descem abaixo de zero.
Os advogados dos reclusos denunciaram as condições desumanas e avançaram com uma ação judicial coletiva. Em 2023, o governo federal aceitou pagar cerca de 10 milhões de dólares (aproximadamente 8,5 milhões de euros) para indemnizar quase 1.600 pessoas detidas no estabelecimento prisional durante a falha no sistema elétrico.