O lançamento de Battlefield 6 foi o mais bem-sucedido comercialmente da série. Os números oficiais mostraram sete milhões de cópias vendidas nos primeiros cinco dias, e o jogo também bateu recordes de usuários simultâneos no Steam e se tornou um dos títulos mais populares nos consoles em que estava disponível. Não há nada a criticar na estreia do jogo em termos de desempenho comercial. No entanto, esse foi apenas o primeiro passo no objetivo da Electronic Arts. A ideia não era apenas alcançar esse patamar, mas também mantê-lo; e é nesse segundo aspecto que o projeto corre o risco de se tornar uma decepção.


Créditos: EA/Reprodução

Battlefield 6 perde jogadores muito rapidamente

O número de jogadores de Battlefield 6 vem diminuindo constantemente desde o seu lançamento. Dados do SteamDB mostram que o jogo atingiu um pico de quase 750.000 usuários simultâneos no dia do lançamento, mas agora, dois meses e meio depois, está em torno de 120.000. Essa situação não é exclusiva do PC. De acordo com o analista Matt Piscatella, uma tendência semelhante foi observada nas versões para console. O jogo já ocupou o terceiro lugar em usuários ativos tanto no PlayStation 5 quanto no Xbox Series X/S no mercado americano. No entanto, agora caiu para a sétima posição, atrás de títulos como NBA 2K26.

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Por si só, os números não são particularmente impressionantes. Quase qualquer jogo faria um pacto com o diabo para ter esse número de jogadores simultâneos no Steam ou essa posição no mercado de consoles. No entanto, dois problemas surgem aqui. O primeiro é que a tendência é bastante negativa. Battlefield pretende sobreviver a longo prazo, e esses números, embora não sejam ruins agora, levantam dúvidas sobre onde o jogo estará daqui a alguns meses. O segundo é que a EA estabeleceu metas extremamente ambiciosas. Não somos nós que estamos impondo exigências excessivas ao título; a própria empresa o fez.

Battlefield 6 pretende ser um jogo de serviço contínuo e, nesse modelo, o sucesso não vem de um grande lançamento, mas sim de um forte desempenho a longo prazo. Quando Arc Raiders foi lançado, tinha apenas uma fração dos jogadores que o jogo de tiro da EA tinha no lançamento, mas atualmente ostenta quase 3,5 vezes mais usuários simultâneos em picos diários. De fato, os números do jogo de tiro da Embark Studios — ironicamente, desenvolvedores veteranos de Battlefield — são maiores agora do que quando foi lançado. Algo semelhante está acontecendo com Delta Force, que na época era considerado quase uma cópia chinesa da franquia da DICE. Foi lançado há um ano, mas atingiu seu pico de jogadores há três meses. Assim como Arc Raiders, também tem mais jogadores agora do que quando foi lançado.

Embora possamos parecer muito negativos, Battlefield 6 está longe de ser um caso perdido. O problema é que o jogo não acertou em cheio com sua estratégia de atualizações. Isso ficou evidente na opinião da comunidade que, embora comemore o retorno de sua franquia favorita, também pede mudanças nos mapas e mais conteúdo novo. O número absurdo de cópias vendidas demonstra que há interesse no que pode vir com as atualizações. Além disso, tantos usuários já possuem o jogo que as barreiras para a desenvolvedora são quase as mesmas de um jogo totalmente gratuito. Tudo o que ela precisa fazer é convencer as pessoas de que o retorno vale a pena.

A primeira oportunidade para retomar o rumo certo e voltar ao sucesso virá com a Temporada 2, prevista para o início de 2026. Com pouco mais de três meses desde o lançamento e conhecendo as fraquezas do jogo desde a fase beta, este deve ser o momento para os desenvolvedores começarem a abordar diretamente o feedback da comunidade. É também o momento perfeito para repensar como o Portal está sendo usado e qual o seu potencial futuro. Uma coisa que a equipe de desenvolvimento de Battlefield 6 não conseguiu fazer foi transmitir à comunidade o quão atraente essa opção de jogabilidade pode ser.

A parte mais difícil já passou. Battlefield 6 revitalizou a franquia, que vinha enfrentando dificuldades devido ao desastroso lançamento anterior. Agora, cabe à Electronic Arts aprimorar os detalhes,7 principalmente porque essa situação pode nunca mais se repetir. Embora haja cada vez mais concorrentes no mercado de videogames, é difícil imaginar seu principal rival retornando à disputa com tão pouca força. Call of Duty: Black Ops 7 abriu espaço para a franquia da EA se consolidar, e a série não pode se dar ao luxo de deixar essa oportunidade, aguardada há mais de dez anos, escapar.

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