Às 11.15 horas em ponto, António Silva, conhecido como Mouzinho, deu o sinal para que cada um pudesse finalmente entrar na água, cuja temperatura estava a 9,5 graus, enquanto no exterior os termómetros marcavam 13 graus, para cumprir mais uma edição de uma iniciativa que já se tornou tradição.
“Em 2015, eu e mais alguns amigos decidimos dar um mergulho no primeiro domingo do ano. De lá para cá, o evento tem vindo sempre a crescer. Este foi mais um dia espetacular, com 200 pessoas na água e muitas mais a assistir e a aproveitar esta praia, que é espetacular”, disse ao JN Mouzinho, orgulhoso de mais um “sucesso” do Mergulho no Cávado.
Para o organizador, o “grande objetivo” foi sempre mostrar a “enorme beleza” da praia fluvial do Faial e “fazer do primeiro domingo do ano um dia de verão”. “Já há pessoas que marcam as férias para poder cá estar para o Mergulho do Cávado ou então que vêm de propósito”, salientou Mouzinho, que é presença assídua nas águas daquele rio, de verão ou inverno.
À imagem do que costuma acontecer nos outros anos, voltaram a juntar-se pessoas de várias gerações. Boaventura Gomes Vieira, de 76 anos, não faltou. “Já é tradição, venho todos os anos”, garantiu o pradense, para quem esta é uma forma de “ficar rijo” para o novo ano. “Se fizer peito duro, as gripes têm medo”, gracejou.
“Espírito incrível”

Foto: Ricardo Reis Costa
A iniciativa junta muitas pessoas oriundas de concelhos vizinhos, como Braga ou Barcelos, sendo que alguns aproveitam para fazer o percurso a correr antes do mergulho. “Temos também pessoas de outras nacionalidades, que acham curioso e querem vir participar”, apontou Mouzinho.
Um desses casos é Justin Mills, norte-americano que vive atualmente em Vila Verde e que pela segunda vez foi ao Mergulho no Cávado, com a mulher e os dois filhos, de quatro e 11 anos. “Viemos pela primeira vez há dois anos. No ano passado não, porque estava muita chuva e frio. Desta vez não podíamos faltar. É fabuloso, um espírito incrível”, garantiu Justin, que no verão está “todos os dias” na praia fluvial do Faial. “O homem do rio [Mouzinho] desafiou-nos para vir neste dia e adoramos”, assegurou o norte-americano, que mergulhou juntamente com o filho mais velho.
A iniciativa culminou com um convívio, com doces e vinho do Porto. E já ficou marcado o encontro para o primeiro domingo de 2027. “Tudo isto é muito informal, basta aparecer no dia e mergulhar. A verdade é que se criou um espírito muito bom e isso é o mais importante”, concluiu António Silva.