Aos 80 anos, Maria Luísa Santos ainda saía pelo portão das traseiras da casa onde vivia, situada na Azinhaga, na Golegã, para ir pescar. A propriedade onde viveu até aos seus últimos dias tinha acesso direto ao rio Almonda e era ali, a poucos metros da residência, que mantinha o seu barco.
“O marido era pescador e quando morreu continuou a fazer a pesca”, recorda à NiT Liliana Reis, atual proprietária da casa e natural de Águeda, distrito de Aveiro. “Ela tinha lá o barco dela, levava as redes e ia com os remos. Aos 80 anos, ainda pegava naqueles remos de madeira pesados e ia pelo rio que desemboca no rio Tejo pescar. Quando voltava, vendia os peixes aos restaurantes.”
Hoje, Maria passou a ser apenas uma memória, mas ainda é muito acarinhada pelos vizinhos e familiares. A casa onde vivia acabou por ser remodelada nos últimos anos. Liliana, de 49 anos, comprou-a no início de 2025 e decidiu transformá-la num alojamento.
Licenciada em Marketing e Gestão, sempre sonhou abrir o seu próprio alojamento. E quando viu aquela casa à venda, apaixonou-se pelo espaço, sobretudo pelo portão que dá diretamente ao rio Almonda. Quando a adquiriu, descobriu a história de Maria, a antiga dona, e decidiu homenageá-la.
Em agosto passado, após vários meses a decorar a propriedade, abriu oficialmente a Casa Maria Avieira aos hóspedes. “Apaixonei-me pela história porque era uma mulher de força e achei que talvez lhe devesse essa homenagem”, partilha.
A propriedade dispõe de dois quartos (um com cama de casal e outro com duas de solteiro), uma sala de estar e cozinha conjuntas viradas para o jardim. No exterior, há ainda um alpendre, com mesa e sofá, uma piscina, uma zona para refeições, uma churrasqueira e acesso direto ao rio.
Além de ouvir histórias dos vizinhos que conheciam Maria, Liliana tem recebido várias mensagens de conhecidos e até de familiares. “Há quem diga que era a casa da avó ou da tia e que é muito bom ver a casa recuperada”, aponta. “A pessoa que trata da propriedade e que dá apoio aos hóspedes é sobrinha-neta da Maria, portanto continuamos ali com o ciclo da família.”
Toda a decoração do novo alojamento foi também pensada tendo em conta o conforto e a sua história. “Queria que entrar na casa da Maria Vieira dissesse alguma coisa às pessoas e não fosse mais um alojamento, porque não era isso que estava no meu sonho”, sublinha.
Para decorar a casa, Liliana apostou em “pormenores mais exclusivos” e tentou evitar móveis mais comuns. “A essência é mesmo poder proporcionar uma experiência mais caseira, mas com classe e com requinte, e nada mainstream”, explica. “Tentei escolher peças intemporais e que se adaptam à estrutura rural da casa e da aldeia, mas com requinte.”
Liliana salienta que, nos últimos meses, o feedback tem sido positivo e cuidar do alojamento tem sido uma aventura. Desde miúda que herdou dos pais e dos avós o gosto por receber visitas. Além disso, visitava a Golegã com frequência durante a infância e a zona não lhe é estranha.
“A minha mãe tinha muito atenção ao detalhe, àquilo que é o belo e o transformar qualquer coisa em algo mais bonito e que proporciona, no fundo, algum espanto” refere. “Basta crescermos neste ambiente para nos sentirmos contagiadas por isso.”
As estadias na Casa Maria Avieira variam entre os 150€ e 180€, mediante a época. A única exceção é o mês de novembro, durante a tradicional Feira do Cavalo, em que as diárias podem chegar aos 280€. As reservas podem ser feitas online.
Carregue na galeria para ver algumas fotografias da Casa Maria Avieira.
FICHA TÉCNICA
- MORADA
Rua do Calcanhar, 27
2150-029 Santarém
PREÇO MÉDIO
entre 151€ e 250€