O candidato presidencial Luís Marques Mendes considerou este domingo que houve “uma violação do direito internacional” dos Estados Unidos da América face à Venezuela e acusou Donald Trump de parecer “mais interessado no petróleo do que na democracia“.
“Que há uma violação do direito internacional – já ontem eu disse de manhã – não oferece nenhuma dúvida, não vale a pena estarmos a ser hipócritas. Há uma violação do direito internacional? Com certeza que há”, afirmou.
O candidato considerou que “nos últimos anos, no mundo, só há violações do direito internacional”, porque “as Nações Unidas não funcionam”.
Luís Marques Mendes afirmou que “aquele golpe já se deu” e “já não se pode revogar o que acontecer”, e agora a questão “é sobretudo o futuro”.
“O golpe já se deu, independentemente de se concordar ou não concordar com ele”, sustentou, considerando que agora têm de ser “os venezuelanos a decidir o seu futuro” e “não podem ser os Estados Unidos a substituir-se à soberania da Venezuela“.
“Já que cai um ditador, e esta é a grande notícia no meio disto tudo, um ditador dos piores que o mundo teve, agora, então, que se concretize um processo democrático”, defendeu, indicando ser necessário “diminuir o grau de incerteza”, dar “aos venezuelanos a palavra e substituir um ditador por um regime democrático”.
Marques Mendes disse também ter ficado “um pouco dececionado com o Presidente dos Estados Unidos, que parecia que estava mais interessado no petróleo do que na democracia”, criticou.
“Eu estou mais interessado na democracia do que no petróleo”, salientou.
O candidato presidencial voltou a pedir também que seja acautelada a segurança dos portugueses na Venezuela.
O candidato a Presidente da República falava aos jornalistas nas Caldas da Rainha, distrito de Leiria, no arranque de uma iniciativa de contacto com a população neste que é o primeiro dia do período oficial da campanha para as eleições presidenciais do próximo dia 18.
Luís Marques Mendes afirmou também que “a China, a Rússia, ou o Irão condenarem o que aconteceu, não é notícia, não tem surpresa”, uma vez que “eram os grandes aliados do ditador que acabou de cair”.
Questionado sobre a posição da União Europeia, Mendes assinalou que “não esteve a aplaudir aquilo que aconteceu”.
“Mas é também por causa da Rússia que eu assumo com toda esta clareza, há uma violação do direito internacional”, acrescentou.
Sobre o líder venezuelano, Nicolás Maduro, ser julgado em solo americano, Mendes assinalou que “já não é a primeira vez que acontece, já aconteceu com o general Noriega [do Panamá] há muitos anos”.
Os EUA lançaram “um ataque em grande escala contra a Venezuela”, para capturar e julgar o líder venezuelano, Nicolás Maduro, e a mulher, e anunciaram que vão governar o país até se concluir uma transição de poder.