História de banda grande costuma ter duas versões: a “arrumadinha”, que cabe em documentário, e a que surge quando alguém resolve contar o que aconteceu sem maquiar demais. Dave Mustaine, falando sobre a fase em que o Megadeth precisava de um novo guitarrista, escolheu a segunda opção, e a cena que ele descreve parece roteiro de comédia, só que com amplificador no talo.
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Foto: Capitol Records – Robert Matheu
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Segundo ele relatou à Guitar World, a busca começou de um jeito bem comum: “Nós tentamos encontrar um guitarrista”, contou. Mustaine diz que foi com David Ellefson a um clube em Reseda para ver uma banda chamada Malice. Lá, chamou a atenção um guitarrista “grandão, alto, boa aparência”, com uma Gibson Flying V, e que, na visão dele, era “muito influenciado” por Michael Schenker.
Animado, Mustaine se aproximou depois do show e fez o convite. “Eu disse que queria ele no Megadeth”, lembra. O cara se empolgou, e a coisa andou rápido: quando o grupo já estava em estúdio gravando “So Far, So Good… So What!” e chegou a hora dos solos, Mustaine conta que foi direto ao ponto do trabalho: “Beleza, é hora de fazer os seus solos, cara.”
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A resposta, aí, é que entra no folclore. O guitarrista teria dito: “Tá, eu vou ligar para o meu professor de guitarra, fazer ele gravar os solos e depois me ensinar.” Mustaine achou que era zoeira: “Sai dessa, você está tirando com a minha cara”, mas acabou concluindo: “Não, era verdade. Era isso que ele queria fazer.”
E o detalhe que transforma a história em “Megadeth sendo Megadeth”: Mustaine diz que aceitou ver até onde aquilo ia. “Eu topei seguir com isso”, contou, e aí o tal professor apareceu no estúdio. O nome dele era Jeff Young. “E, como eu disse, o Jeff era um guitarrista excelente… ele realmente tinha um estilo próprio, como o Chris [Poland] tinha, e a gente começou a trabalhar no disco.”
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Ou seja: o sujeito que entrou como “solução terceirizada” acabou virando o escolhido de verdade. A própria lógica do estúdio fez a triagem – quem chegou para “quebrar o galho” mostrou serviço e ficou com a vaga. E, para completar o quadro, Mustaine ainda compara a personalidade musical do Jeff com a de Chris Poland, lembrando que o Megadeth sempre teve um radar forte para guitarristas com assinatura particular.
Se tem uma ironia bonita aqui, é que o Megadeth foi atrás de um guitarrista e acabou contratando o cara que estava por trás do guitarrista. Em banda grande, às vezes o teste real não é no palco nem na audição: é quando alguém abre a boca no estúdio e entrega como pretende resolver a parte mais básica do trabalho.
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