Na sala pouco restou da antiga decoração. Entre arcos suaves e murais de azulejos, perdoam-se os cliente que se esqueçam da cozinha, entre as mesas corridas, sofás e luz quente. O Alva, inaugurado a 19 de dezembro no Parque das Nações, ocupa o antigo espaço do italiano Dolce Vita, e chega com a ambição de ser o restaurante de “comida portuguesa a sério” que faltava naquela zona de Lisboa.

A oportunidade “estava à vista”, refere Nuno Boquinhas, responsável pela consultora MHPB, que idealizou o conceito. Para lá dos espaços de sushi, ramen, italianos e conceitos modernos, sentia que “faltava ali um restaurante de comida portuguesa séria”. Foi assim que nasceu o Alva, um restaurante de cozinha portuguesa com um toque mediterrânico, mais cuidado e requintado, mas sem pretensões de fine dining.

Para comandar a cozinha, a escolha recaiu sobre António Alexandre, antigo chef da Bica do Sapato e durante muitos anos chef executivo do grupo Marriott. A ligação entre ambos não é nova e a confiança foi determinante.

“Já tinha trabalhado com ele há muito tempo. Ele já estava um bocado farto dos hotéis e tinha saudades de abraçar um projeto deste género”, refere Nuno Boquinhas. No Alva, apresenta uma leitura clássica da cozinha portuguesa, onde o segredo está menos na reinvenção e mais na execução.

A carta reflete esse equilíbrio. Apesar da mudança de conceito, mantiveram-se alguns elementos do anterior restaurante italiano, foi o caso das pizzas, não só para impedir uma quebra total com os antigos clientes, mas também para aproveitar o enorme forno da cozinha. O mesmo aconteceu com algumas massas e dois risotos.

 

Ainda assim, o centro da carta é claramente português. Há gambas al ajillo (14€), cogumelos braseados (12€) ou pica-pau do lombo (14€). A costela italiana revela-se no risoto de gambas e presunto crocante (18€) ou nas diversas pizzas.

Entre os pratos principais surgem as bochechas de porco preto (19€) com batata, aipo e cogumelos, magret de pato com milho e legumes (21€) ou robalo braseado com aipo, alho francês, feijão verde, ostras e chorão do mar (22€), bem com uma série de opções na grelha, sobretudo carnes, entre vazia, picanha e lagartos de porco ibérico. Para fechar, há clássicos reconfortantes como a mousse de chocolate (5,5€), o bolo de bolacha especial da casa com doce de leite (5,5€) ou um inevitável leite creme (5,5€).

Os preços foram também alvo de ponderação. O objetivo não é competir por estrelas, mas garantir movimento constante e acessibilidade. Ao almoço, há uma aposta clara em pratos do dia a 15€, sem menus fechados.

O ambiente acompanha essa ideia de conforto sem rigidez. A sala interior, com capacidade para cerca de 75 clientes, alterna entre mesas mais formais e bancos corridos em pele escura. Os murais de azulejo criam ritmo nas paredes, enquanto a iluminação quente e os apontamentos de plantas suavizam o espaço.

A esplanada, com 78 lugares, é ampla e integrada na rua, embora ainda em fase de ajustes e remodelações.

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FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Alameda dos Oceanos 41 C/D/E
    1990-155  Lisboa

PREÇO MÉDIO
Entre 30€ e 50€

TIPO DE COMIDA
Portuguesa, Italiana