A fadista Maria do Rosário Bettencourt morreu no sábado aos 92 anos, em Torres Vedras, distrito de Lisboa, disse este domingo à agência Lusa fonte da família.
De acordo com a mesma fonte, a cantora morreu no hospital de Torres Vedras e o funeral realiza-se na segunda-feira naquela cidade, onde vivia.
Maria do Rosário Bettencourt nasceu em junho de 1933 numa família de artistas e estreou-se aos 19 anos, ao lado do fadista Fernando Farinha, na antiga Emissora Nacional. Cantou em várias casas de fado de Lisboa e gravou sobretudo nos anos 1960 e 1970, incluindo os álbuns Canto Presente e Para Cada Mão Uma Rosa.
Numa nota biográfica que lhe é dedicada, o Museu do Fado lembra que Maria do Rosário Bettencourt gravou e atuou com instrumentistas como Raul Nery, Fontes Rocha, Joel Pina, António Chaínho, José Maria Nóbrega, Raul Silva e José Pracana.
A fadista fez sempre “uma cuidada escolha de repertório e de poemas”, sublinha o Museu do Fado, citando Maria Manuel Cid, Lima Brumon, Fernando Pessoa, Camões ou Bernardo Torres.
“Quadras Soltas” (de Francisco Viana e Silva Tavares) e “Quatro Estações” (de Joaquim Campos e David Mourão Ferreira) são dois dos fados interpretados e gravados pela artista.
Maria do Rosário Bettencourt também integrou júris do Prémio Amália Rodrigues e participou no filme “O Mal Amado” (1974), de Fernando Matos Silva, o último filme português a ser censurado no Estado Novo e só estreado depois da revolução de abril de 1974.
Em 1998, a artista publicou uma coletânea de fados.
De acordo com o Museu do Fado, em 2012 Maria do Rosário Bettencourt foi uma das 50 personalidades do fado e da guitarra portuguesa a receber uma medalha de mérito cultural pela Câmara Municipal de Lisboa, um ano depois da consagração do fado como Património Imaterial da Humanidade.