Ruben Amorim já não é treinador do Manchester United. O clube inglês anunciou nesta segunda-feira o despedimento do técnico português, que tinha contrato até Junho de 2027, pondo assim fim a cerca de um ano e um mês no cargo.

“Ruben Amorim deixou o cargo de treinador principal do Manchester United. Com o Manchester United a ocupar o sexto lugar da Premier League, a direcção do clube tomou, com relutância, a decisão de proceder a uma mudança. Esta decisão visa dar à equipa a melhor oportunidade de alcançar a melhor classificação possível na Premier League”, adiantam os “red devils”, em comunicado.

No imediato, será Darren Fletcher, antiga lenda do clube e até agora treinador do escalão júnior, a tomar conta da equipa principal, pelo menos até ao jogo da próxima jornada em casa do Burnley, já na quarta-feira.

Esta decisão começou a ganhar contornos cada vez mais nítidos depois do empate de domingo em casa do Leeds (1-1), especialmente na sequência do desabafo de Amorim, quando no final da conferência de imprensa deixou no ar algum desagrado pela forma como a sua autonomia estava a ser gerida dentro do clube.

Divergências: mercado e sistema

“Vim para cá para ser o manager do Manchester United, não apenas o treinador. Isso é claro. Sei que o meu nome não é Conte, Tuchel ou José Mourinho, mas sou o manager do Manchester United. Vai ser assim durante 18 meses ou até que a direcção decida mudar. Não vou desistir. O acordo era eu ser o manager e não o treinador. Se as pessoas não conseguem lidar com as críticas do Gary Neville ou de outro, então temos de mudar o clube”, afirmou, com contundência.

Na presente temporada, o United soma oito vitórias, sete empates e cinco derrotas na Premier League, pecúlio que lhe vale um sexto lugar na classificação, a três pontos dos lugares de acesso à Liga dos Campeões. Nos últimos cinco jogos, porém, a equipa só conseguiu ganhar um (1-0 ao Newcastle) e viu a pressão interna e externa subir de tom, numa altura em que o médio português Bruno Fernandes continua de fora, por lesão.

Ao momento actual, soma-se uma temporada passada de tremenda desilusão, que figura na história do clube como a pior de sempre. Os “red devils” terminaram 2024-25 na 15.ª posição, com o menor número de pontos somados desde 1973-74, época que de desceram de divisão. No total, Ruben Amorim orientou a equipa em 63 jogos, durante os quais alcançou 24 triunfos, 18 empates e 21 desaires – uma percentagem de vitórias de apenas 38,1%.

No último mercado de transferências, o clube retocou o plantel com um investimento de 250 milhões de euros, muito centrado nas contratações de Benjamin Sesko, Bryan Mbeumo e Matheus Cunha, mas o resultado final da abordagem não terá sido inteiramente do agrado de Amorim, que não escondeu alguma tensão com o director desportivo, Jason Wilcox, a este respeito.

De resto, as pressões que o treinador português terá sofrido estenderam-se mesmo à abordagem dos jogos. Desde que chegou a Old Trafford, Ruben Amorim optou por uma defesa a três, com os alas projectados, à imagem do que construíra (com grande sucesso) no Sporting, mas os resultados não foram os esperados e, há poucas semanas, utilizou uma defesa a quatro no jogo com o Newcastle (que venceu), apenas para voltar ao sistema-base logo de seguida.