Define-se como um liberal “clássico”, no sentido mais europeu do termo. Autor de Progresso e Manifesto Capitalista – livros publicados em Portugal pela Guerra e Paz e Temas e Debates – Johan Norberg é uma das vozes mais influentes do liberalismo contemporâneo. No seu mais recente livro, Peak Human, ainda sem edição portuguesa, o ensaísta sueco revisita os grandes períodos de prosperidade da história para defender uma tese simples: as sociedades que prosperam são aquelas que permanecem abertas ao comércio, às ideias e às pessoas, um conceito que reafirmou num recente artigo para o FMI – “Porque as civilizações prosperam – e fracassam”. Nele, Norberg alerta para os riscos de repetir erros históricos. Em entrevista ao Jornal de Negócios, fala sobre migração, populismo, segurança e o declínio do mundo anglo-saxónico – a que chama a “angloesfera”, sublinhando que a verdadeira ameaça à coesão social não é a abertura, mas o medo e que fechar portas pode significar abdicar das fontes de inovação e crescimento de que a Europa mais precisa. Considera a Rússia um “anão económico” e um “embaraço” que a União Europeia não consiga proteger-se sozinha, defendendo que era evidente que os EUA acabariam por recuar no papel de “guarda-costas” da UE, assumido após a Segunda Guerra Mundial.