Tatuagens podem aumentar o risco de câncer de peleTatuagens podem aumentar o risco de câncer de peleFoto: Reprodução/ND Mais

Um amplo estudo científico realizado na Dinamarca acendeu um alerta sobre possíveis riscos associados às tatuagens. Publicada na revista BMC Public Health, a pesquisa investigou, pela primeira vez em larga escala, a relação entre tatuagens e a ocorrência de determinados tipos de câncer, como câncer de pele e linfoma.

Os resultados indicam que pessoas tatuadas apresentam um risco maior dessas doenças quando comparadas àquelas sem tatuagens, embora os próprios autores ressaltem que a associação observada não comprova uma relação direta de causa e efeito.

O estudo utilizou dados do Registro Dinamarquês de Gêmeos, considerado um dos mais completos do mundo. A escolha desse grupo não foi casual. Gêmeos compartilham grande parte da herança genética e, em geral, são expostos a ambientes semelhantes ao longo da vida.

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Isso permite aos pesquisadores reduzir a influência de fatores genéticos e ambientais e observar com mais precisão o impacto de variáveis específicas, como a presença de tatuagens.

A análise foi conduzida com base em dados populacionais extensos e contou com a interpretação de especialistas como a professora Theodora Psaltopoulou, da Universidade Nacional de Atenas, e a bióloga Alexandra Stavropoulou.

O que descobriram?

Um dos pontos centrais da pesquisa está no comportamento da tinta utilizada nas tatuagens. Segundo os pesquisadores, evidências laboratoriais e clínicas já indicavam que os pigmentos não permanecem apenas na pele.

Partículas microscópicas da tinta podem migrar pelo sistema linfático e pela corrente sanguínea, acumulando-se principalmente nos linfonodos, mas também em órgãos como o fígado. Essa presença contínua de substâncias estranhas no organismo pode provocar inflamação crônica, um processo biologicamente associado, há décadas, ao aumento do risco de câncer.

Partículas microscópicas da tinta pode andar pelo organismo pela corrente sanguíneaPartículas microscópicas da tinta pode andar pelo organismo pela corrente sanguíneaFoto: Reprodução/ND Mais

A composição química das tintas também levanta preocupações. A tinta preta, a mais utilizada em tatuagens, frequentemente contém negro de fumo, classificado como possível cancerígeno humano.

Durante sua fabricação, podem ser gerados hidrocarbonetos aromáticos policíclicos, alguns reconhecidamente cancerígenos. Já os pigmentos coloridos podem sofrer degradação quando expostos à luz solar ou durante procedimentos de remoção a laser, liberando compostos potencialmente tóxicos.

Tamanho da tatuagem também influencia

Os resultados mostraram que pessoas com tatuagens apresentaram maior incidência de câncer de pele em comparação às não tatuadas. Em determinadas análises, o risco foi significativamente mais elevado.

O estudo também apontou que tatuagens grandes, definidas como aquelas que cobrem uma área maior do que a palma da mão, estiveram associadas a um risco ainda mais alto tanto de câncer de pele quanto de linfoma.

Essa observação reforça a hipótese de que a quantidade total de tinta e a extensão da exposição do organismo podem influenciar o risco.

A tinta preta, a mais utilizada em tatuagens, frequentemente contém negro de fumo, classificado como possível cancerígeno humanoA tinta preta, a mais utilizada em tatuagens, frequentemente contém negro de fumo, classificado como possível cancerígeno humanoFoto: Reprodução/ND Mais

Os pesquisadores avaliaram ainda fatores como tabagismo, consumo de álcool e estilo de vida, mas não encontraram explicações suficientes que justificassem sozinhas essa associação.

Tatuagens causam câncer?

Os pesquisadores destacaram que os dados não permitem afirmar que tatuagens causam câncer, apenas que existe uma correlação estatística que precisa ser melhor compreendida por meio de novos estudos.

Outro aspecto relevante diz respeito ao diagnóstico precoce. Tatuagens extensas podem dificultar a identificação de lesões suspeitas na pele, como pintas novas ou alterações em manchas já existentes. Isso pode atrasar o diagnóstico de um câncer de pele, aumentando o risco de detecção em estágios mais avançados.

Por esse motivo, dermatologistas recomendam acompanhamento regular para pessoas tatuadas, especialmente aquelas com grande exposição solar ou histórico familiar da doença.

Alémm disso, embora as tatuagens sejam cada vez mais comuns e as taxas gerais de câncer não tenham aumentado de forma proporcional, a exposição prolongada do organismo aos pigmentos é um fenômeno relativamente recente.