A 29 de dezembro o Kremlin acusou a Ucrânia de ter tentado atacar uma das residências de Putin no norte da Rússia, um dia depois de Zelensky ter sido recebido por Trump na Florida para negociações de paz. O próprio presidente dos Estados Unidos assumiu na altura ter ficado “muito zangado” com Kiev

Donald Trump rejeitou nas últimas horas a versão apresentada por Vladimir Putin sobre um alegado ataque ucraniano a uma das suas residências, no norte da Rússia, alegando não haver indícios de que tal tenha acontecido.

“Agora que pudemos verificar, não acreditamos que isso tenha acontecido”, afirmou Trump aos jornalistas a bordo do Air Force One, depois de analisar informação adicional na sequência de uma conversa telefónica com o líder do Kremlin.

Segundo o The Kyiv Independent, o presidente norte-americano admitiu que “algo aconteceu nas proximidades” da residência de Putin, mas que as autoridades americanas não concluíram que a sua residência era, de facto, o alvo. “Ninguém sabia naquele momento. Quer dizer, foi a primeira vez que ouvi falar disso. Ele disse que a sua casa foi atacada”, acrescentou, lembrando o momento em que soube do ataque a 29 de dezembro.

A acusação de Moscovo surgiu numa fase sensível, em que Ucrânia e Estados Unidos estavam a coordenar a atualização do acordo de paz, uma decisão que responsáveis ucranianos descreveram como deliberada.

A 29 de dezembro, um dia depois de o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, ter sido recebido por Trump na Florida, a Rússia acusou publicamente Kiev de ter lançado 91 drones contra uma residência utilizada por Putin, uma versão que o próprio presidente russo transmitiu a Trump durante a chamada telefónica.

Numa reação inicial, Trump disse ter ficado “muito zangado” com a alegação, mas viria depois a manifestar ceticismo à medida que surgiram novos dados. A 31 de dezembro, partilhou mesmo uma notícia do New York Post com o título “A fanfarronice de Putin sobre ‘ataques’ mostra que a Rússia é quem está no caminho da paz”, no qual era questionada a credibilidade da narrativa russa.

Ainda a bordo do Air Force One e questionado sobre a sua resolução de Ano Novo de alcançar “paz na Terra”, Trump voltou a sublinhar o objetivo de pôr fim à guerra. “Só esperamos que a Rússia e a Ucrânia resolvam isto”, afirmou. “Entre 25.000 e 30.000 soldados estão a ser mortos todos os meses. E eles não são americanos. São russos e ucranianos”, acrescentou. “E se eu pudesse impedir isso, eu impediria. E acho que conseguiremos.”