Interrogado sobre se reconhece que os interesses de Trump com esta intervenção parecem ter mais que ver com petróleo do que com valores democráticos, André Ventura não respondeu diretamente, insistindo que o que quer “é acabar com os ditadores no mundo inteiro”.

TIAGO PETINGA
O candidato presidencial e presidente do Chega considerou, este domingo, que a líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, seria uma “excelente solução” de transição para aquele país, opção já rejeitada pelo Presidente dos Estados Unidos da América.
“Eu acho que a María Corina Machado é uma excelente solução. Prémio Nobel da Paz, uma mulher, lutadora da liberdade, dos direitos humanos, pode ficar à frente da Venezuela num período de transição, até haver eleições”, considerou o candidato a Belém, em Silves, distrito de Faro.
Momentos antes de uma arruada no concelho, que arrancou junto à Rua 25 de Abril, Ventura voltou a comentar a situação na Venezuela após a intervenção militar dos EUA, no sábado, que levou à detenção do Presidente Nicolás Maduro, levado à força para território norte-americano, onde enfrenta acusações de alegado envolvimento em tráfico de droga e corrupção.
O presidente do Chega defendeu a realização de “eleições justas, livres e democráticas” e não “de fantoche como esses ditadores fizeram e como a maior parte da esquerda e do centro-esquerda da Europa quer apoiar”.
A maioria da comunidade internacional, incluindo Portugal e a União Europeia, não reconheceu a reeleição de Maduro em 2024, mas sim de Edmundo González Urrutia, que avançou para a corrida, apoiado por María Corina Machado, impedida de o fazer.
Interrogado sobre se reconhece que os interesses de Trump com esta intervenção parecem ter mais que ver com petróleo do que com valores democráticos, Ventura não respondeu diretamente, insistindo que o que quer “é acabar com os ditadores no mundo inteiro”.
O líder do Chega voltou a elogiar a operação militar dos EUA na Venezuela, considerando que “teve a vantagem” de remover “um ditador” do poder.
Ventura rejeita comparações com Ucrânia
Ventura rejeitou ainda que a situação na Ucrânia, invadida pela Federação Russa em 2022, tenha paralelo com a atual crise na Venezuela do ponto de vista do desrespeito pelo direito internacional.
O candidato afirmou que, no caso da Ucrânia, está em causa uma “invasão absolutamente ilegítima” face a um Presidente “democraticamente eleito, Volodymyr Zelensky” e, na Venezuela, esteve em causa a “remoção do poder de alguém que é um ditador e um sanguinário”.
A crise na Venezuela será tema do próximo Conselho de Estado, na sexta-feira, no qual André Ventura vai participar.
Os Estados Unidos lançaram no sábado “um ataque em grande escala contra a Venezuela” para capturar e julgar o líder venezuelano, Nicolás Maduro, e a mulher, e anunciaram que vão governar o país até se concluir uma transição de poder.
Horas depois do ataque, e não sendo ainda claro quem vai dirigir o país após a queda de Maduro, o Presidente norte-americano, Donald Trump, admitiu uma segunda ofensiva contra o país se for necessário.