As equipas que ganham mais vezes que as outras também têm mais sorte que as outras. É assim o FC Porto voraz de 2025-26, que quase não deixa pontos em cima da mesa. Umas vezes é avassalador, outras nem por isso. Mas o resultado tem sido o mesmo e, neste domingo, a equipa de Francesco Farioli ficou com mais três pontos graças a uma vitória que foi, literalmente, entregue em mãos pelo guarda-redes do Santa Clara. Os portistas saíram dos Açores com um triunfo por 0-1, golo de Samu, mais a liderança reforçada por via do empate do Sporting na sexta-feira, e com um recorde de pontos na primeira volta: 49 pontos conquistados em 51 possíveis, 16 vitórias e um empate nas primeiras 17 jornadas.
O Santa Clara, já se sabe, é uma equipa que causa problemas às equipas teoricamente mais fortes – veja-se os problemas que o Sporting sentiu nas duas vezes que foi a São Miguel esta época, ou o empate cedido pelo Benfica em casa frente aos açorianos. Não seria um adversário fácil para o FC Porto na sua tentativa de fechar a primeira volta com mais uma vitória. A formação portista iria ter, de facto, muitos problemas, até ao momento em que os três pontos caíram no seu colo e de lá já não saíram.
A formação açoriana sabe defender com muitos e atacar com poucos – duas coisas que estão interligadas, porque defender bem não é apenas ter 11 jogadores dentro da baliza, é ocupar espaços de forma a poder saltar para o momento ofensivo com poucos e com perigo. Foi isto que a equipa de Farioli enfrentou na primeira parte, sem que conseguisse grandes aproximações perigosas à baliza de Gabriel Baptista.
Os momentos de maior perigo do FC Porto vieram dos pés de William Gomes. Aos 17’, num movimento que lhe é muito característico, o brasileiro foi do flanco para o centro e alvejou a baliza do Santa Clara – a bola saiu por cima. Aos 36’, num contra-ataque, William levou a bola desde a sua área até à área contrária, o remate saiu à figura de Gabriel e a recarga de Gabri Veiga bateu num defesa do Santa Clara. Entre as duas aproximações perigosas dos portistas, os açorianos tiveram um desvio perigoso de Vinícius Lopes após um canto aos 25’.
Na perspectiva do Santa Clara, estava tudo a correr de acordo com o plano – e, quando os portistas entrassem em modo desespero, seria a hora de atacar. A segunda parte começou como tinha acabado a primeira, com o Santa Clara em modo resistência activa, e com o FC Porto em modo desinspirado. Nada fazia prever o que iria acontecer a seguir.
Aos 50’, num lance perfeitamente inócuo, Gabriel Baptista deixou fugir a bola das suas mãos para uma zona pouco recomendável. Samu andava por perto, ficou com a bola e, perante a baliza deserta, não hesitou e não falhou. Foi um golo caído do céu para o FC Porto, que aceitou a oferta sem reclamar. E uma grande “traição” do habitualmente fiável Gabriel aos seus colegas e à estratégia do seu treinador – o Santa Clara, se quisesse tirar alguma coisa do jogo, teria mesmo de sair da sua toca defensiva.
E os açorianos tentaram ser, de facto, mais afoitos no ataque, mas o FC Porto é especialista a defender resultados – outro número impressionante desta equipa de Farioli é o número de golos sofridos em 17 jornadas, apenas quatro. Não seria nos Açores que esse número iria aumentar. O que aumentou foi a diferença para o perseguidor mais próximo, o Sporting (já são sete pontos), mantendo-se a almofada de dez para o Benfica.