A equipa portista concluiu a metade inaugural da Liga com com 16 vitórias e um empate em 17 jornadas (49 pontos em 51 possíveis) no campeonato, que representam a melhor pontuação ao final da primeira metade em campeonatos a 18 equipas.

Em entrevista à Lusa, Jesualdo Ferreira, que treinou os “dragões” por quatro temporadas e é um dos técnicos mais titulados da história do clube, com três campeonatos, duas Taças de Portugal e uma Supertaça Cândido de Oliveira, confessou a admiração inicial pelo trajeto que o F. C. Porto tem vindo a desenvolver.

“Penso que este momento do F. C. Porto surpreendeu toda a gente. Quer dizer, surpreendeu nos primeiros meses, porque desde os jogos da pré-época se percebia uma mudança. É uma equipa que se destaca pela sua solidez defensiva, não apenas da linha defensiva. Os avançados e os médios desenvolvem linhas de pressão, que deixam os defesas apenas com preocupações de coberturas”, constatou.

A intensidade na pressão e a forma como a equipa se consegue equilibrar defensivamente, que resulta no facto de ter a defesa menos batida da prova, com apenas quatro golos sofridos, são fatores decisivos para o atual sucesso de Francesco Farioli, em época de estreia ao serviço dos “azuis e brancos”.

“A estrutura deste F. C. Porto é muito simples, mas extremamente bem executada por todos os jogadores, que começam o jogo a correr e acabam o jogo a correr. Globalmente, é um conjunto muito forte, tanto no plano defensivo como ofensivo. São muito fortes nos equilíbrios, um aspeto que considero fundamental”, analisou Jesualdo, destacando o médio Victor Froholdt como um jogador que “dá muita rotação à equipa”.

No entendimento do técnico, a vantagem do F. C. Porto de sete pontos para o Sporting registada no final da primeira metade do campeonato deverá ser mais atribuída ao mérito dos “dragões” do que ao demérito dos ‘leões’, que também considera estarem a realizar uma boa temporada.

A chegada de Farioli trouxe uma mudança tática para um sistema “4-3-3”, que Jesualdo também utilizou predominantemente no FC Porto e ao longo da sua carreira, com o antigo treinador portista a reconhecer algumas semelhanças, mas também alguns comportamentos diferentes.

“O regresso ao 4-3-3 agradou-me. No meu tempo, tínhamos uma estrutura semelhante, mas com algumas dinâmicas diferentes. Os nossos laterais davam maior profundidade e os nossos extremos eram praticamente avançados. Parece-me até, confesso, que a estrutura defensiva atual é mais segura, mas assim teria de ser porque tínhamos jogadores com características diferentes”, explicou.

Porém, alertou para alguma irregularidade exibicional que a equipa pode vir a demonstrar: “Naquela altura, quando chegávamos ao primeiro lugar, era muito difícil tirar-nos de lá. Porque a equipa era menos de “picos”, a atual tem mais essa tendência. Agora, há mais altos e baixos, o que pode ser bom ou mau dependendo das situações”, defendeu.

Tendo conseguido por várias ocasiões vantagens no final da primeira volta, diz ter sido possível manter a equipa focada, sem displicências do ponto de vista mental, mas lembrou uma adversidade na época 2007/08.

“A equipa manteve comportamentos táticos muito bons e os níveis competitivos altos. Os jogos europeus eram também importantes. Ganhar era essencial, esse hábito que ganhava. Aconteceu uma vez, a descompressão tirou-nos uma Taça de Portugal [derrota na final frente ao Sporting], numa altura em que já há muito tínhamos garantido o campeonato”, recordou.

Por fim, Jesualdo destacou o mercado de verão do F. C. Porto como aspeto fundamental para alterar de forma radical os resultados de uma época anterior que diz ter sido “atípica”.

Face ao plantel do ano anterior, fez diferença encontrar os jogadores que se enquadram especificamente naquela ideia de jogo. Mesmo a perda do Luuk de Jong foi bem suprida por Samu e Deniz Gul. É impossível não jogar de uma certa forma se os jogadores não tiverem argumentos para a executar”, concluiu.