Ori

O design do guarda-chuva com varetas de aço mudou pouco desde que foi introduzido na década de 1850. Agora, uma equipa de engenheiros mecânicos e especialistas em origami criou um guarda-chuva que funciona através de dobragem.
O design do guarda-chuva acaba de receber a sua primeira grande melhoria desde a sua invenção, há 175 anos.
O Ori apresenta um design sem estrutura, com uma cobertura em material compósito laminado, que encaixa num cabo inteligente cilíndrico de 3,5 centímetros com um ecrã OLED.
Isto significa que não há elementos de aço que possam avariar-se e deixar o utilizador com um guarda-chuva deformado quando apanhado por uma ventania. Parece que, finalmente, temos um guarda-chuva com um aspeto verdadeiramente do século XXI.
A equipa de design contou com especialistas em origami, que habitualmente trabalham nas áreas aeroespacial, de investigação e em estruturas avançadas desdobráveis. E foi aí que residiu a chave.
A equipa recorreu a uma técnica de origami chamada Miura-ori, criada pelo astrofísico japonês Koryo Miura em 1970, para substituir a funcionalidade da armação de aço. O Miura-ori permite uma dobragem compacta — e tem desde então sido utilizada em satélites.
“Todos têm um, mas o guarda-chuva é um objeto esquecido, preso ao passado. Queríamos transformá-lo num dispositivo moderno: inteligente, intencional, premium e concebido como um verdadeiro dispositivo contemporâneo”, diz Modestas Balcytis, fundador da Ori, em declarações à Fast Company.
A cobertura parece sólida quando está aberta, já que não se trata de tecido esticado sobre uma estrutura, mas sim de uma única superfície contínua em origami.
“Quando se abre, sente-se a geometria a encaixar, transformando uma superfície plana numa estrutura forte e auto-sustentada”, explica Balcytis.
O guarda-chuva é resistente ao vento, ao contrário dos tradicionais que facilmente se viram do avesso. Segundo a empresa, a superfície do Ori é também resistente aos raios UV e dura mais do que os guarda-chuvas convencionais de varetas.
O guarda-chuva já pode ser reservado e espera-se que as entregas comecem na primavera ou verão deste ano.
Com um preço de pré-venda de 249 dólares, cerca de 215 euros, o custo do Ori está muito acima do dos guarda-chuvas comuns vendidos em farmácias, e é assim que está a ser promovido: as imagens publicitárias podiam muito bem pertencer a campanhas da Dyson ou da Apple, diz a Fast Company.
A empresa apresenta o produto como uma alternativa aos guarda-chuvas de varetas, frequentemente mal concebidos, que facilmente se partem e têm pouca durabilidade.
O guarda-chuva está disponível em azul, prata e dourado; carrega-se através de um cabo USB-C; e abre e fecha com um só clique.
Segundo a Ori, o guarda-chuva foi testado entre 400 e 500 ciclos de abertura e fecho. Trata-se de um guarda-chuva de alta tecnologia, e a empresa já tem planos para criar mais produtos recorrendo à técnica Miura-ori.
“A Ori não está aqui para vender guarda-chuvas”, conclui Balcytis. “Estamos a construir uma nova linguagem para objetos dobráveis”.