O Governo português admite fechar 2025 com um excedente “ligeiramente acima” dos 0,3% estimados inicialmente no Orçamento do Estado e prevê equilíbrio orçamental para este ano, disse hoje em Lisboa o ministro das Finanças.
“Esperamos que a economia portuguesa possa continuar a crescer”, em 2025, “em torno de 2%” e para 2026 “a previsão é de 2,3%, mantendo saldos orçamentais equilibrados, […] provavelmente ligeiramente acima de 0,3%” em 2025 e este ano “equilíbrio orçamental”, comentou Joaquim Miranda Sarmento, intervindo na sessão de abertura do Seminário Diplomático, encontro anual de diplomatas portugueses, em Lisboa.
O governante exortou “todos” a “vender o caso de sucesso que Portugal é”.
“As reformas estruturais compensam no médio-longo prazo (…) A transformação que temos vindo a fazer e vamos continuar a fazer vai melhorar cada vez mais a posição económica do país”, comentou Miranda Sarmento.
O ministro voltou a apontar a falta de mão-de-obra como “o maior constrangimento” que o país enfrenta atualmente, do ponto de vista de crescimento económico, “seja na agricultura, seja no turismo, na indústria, nos serviços”.
“Nós precisamos de trabalhadores, para todo o espetro da economia portuguesa, para todos os setores. E, portanto, daí a necessidade de regular a imigração e de continuar a trazer pessoas para trabalhar nos diferentes setores, mas de uma forma integrada, humanista e em que as pessoas possam vir para trabalhar e para contribuir para um país melhor”, defendeu.
Durante a sessão, e respondendo a perguntas da audiência, levantou dúvidas sobre o mercado de dívida chinês.
Miranda Sarmento começou por considerar que União Europeia tem “uma oportunidade extraordinária de reforçar o papel do euro”, que representa apenas 5 a 6% das transações mundiais de moedas, dominadas pelo dólar.
“Ora, os investidores, para diversificarem do dólar (…) precisam de um mercado de dívida com duas características: Estado de Direito e um mercado dívida suficientemente grande para ter liquidez”, apontando o iene japonês, o franco suíço e a libra inglesa como mercados com “um excelente Estado de Direito, mas nenhum é suficientemente grande para ter liquidez para este montante de investimento”.
“Depois, há um mercado de dívida que é muito grande, mas em que eu não apostava muito no Estado de Direito, que é o mercado do renminbi chinês. A política monetária é ditada pelo líder do Partido Comunista, que pode desvalorizar a moeda quando quiser. Sabemos o que é que acontece aos grandes empresários, o que é que acontece, o que é que pode acontecer às empresas, às poupanças, etcetera”, disse, antes de desabafar: “Espero que o embaixador chinês não esteja aqui”, o que motivou algumas gargalhadas.
Miranda Sarmento prosseguiu pedindo desculpa e sublinhando que Portugal é “o país mais amigo da China”.
“Não participámos no século de opressão, no século de humilhação chinês. Macau foi-nos dado e por isso é que só devolvemos Macau depois de Hong Kong. Exatamente, Macau foi-nos dado. Nós não participámos nas guerras do ópio, na Revolta dos Boxers, nem nada disso. Mas as coisas são o que são”, disse.