Quando Sá Carneiro e Passos Coelho chegaram à campanha
O apelo do primeiro-ministro ao voto útil em Marques Mendes marcou esta segunda-feira a campanha eleitoral para as eleições presidenciais, num dia em que o nome de Pedro Passos Coelho surgiu entre alguns dos protagonistas da corrida a Belém.
Um dia depois de Luís Montenegro ter apelado à concentração do voto em Marques Mendes de “socialistas moderados, liberais, sociais-democratas e democratas-cristãos”, avisando que votar em Cotrim ou Seguro não garante uma segunda volta sem “dois candidatos populistas”, surgiram reações dos candidatos mais visados e com o candidato apoiado por PSD e CDS-PP a defender as declarações do primeiro-ministro.
Em Campo Maior, no distrito de Portalegre, onde visitou a fábrica da Delta, o candidato presidencial Gouveia e Melo acusou o primeiro-ministro de procurar condicionar a escolha dos portugueses nas eleições e salientou que o próximo chefe de Estado não pode ser nem marioneta nem oposição ao Governo.
O ex-chefe do Estado-Maior da Armada começou por prometer que, se for eleito Presidente da República, terá “uma relação construtiva e institucional” com o Governo, mas assinalou logo a seguir que ouviu “com desagrado as declarações do primeiro-ministro”.
Gouveia e Melo evocou também a ação política do antigo primeiro-ministro social-democrata Francisco Sá Carneiro, destacando as suas preocupações sociais, em contraponto aos neoliberais, e criticou quem tenta atualmente apropriar-se do seu legado.
Também João Cotrim Figueiredo considerou que o apelo ao voto de Luís Montenegro em Marques Mendes demonstra “preocupação e fraqueza”.
“Isto, agora, parece estar a preocupar tanto o PSD que vem o presidente do próprio partido tentar apelar ao voto útil no seu candidato. Não seria necessário se o candidato fosse capaz de granjear e mobilizar todo o eleitorado da Aliança Democrática (AD)”, disse o candidato apoiado pelo Iniciativa Liberal, no final de uma visita ao Centro Social Interparoquial de Santarém.
Inicialmente Marques Mendes considerou correta a mensagem do líder do PSD, mas recusou ser o candidato do Governo e, mais tarde, durante um almoço com apoiantes em Coimbra, respondeu às críticas sobre o primeiro-ministro, sublinhando que se tratou de “um ato de coerência e de força”.
“Vi aí várias opiniões, incluindo de candidatos, meus adversários, a dizerem que é um ato de fraqueza o primeiro-ministro ter participado ontem num ato da minha campanha eleitoral. Eu devo dizer que penso exatamente o contrário, a participação de Luís Montenegro na minha campanha eleitoral não é um ato de fraqueza, é um ato de coerência e é um ato de força”, defendeu.
O antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho entrou na campanha com o candidato André Ventura a afirmar que ficaria honrado se tivesse ao seu lado Pedro Passos Coelho, considerando que prefere ser visto como herdeiro daquele antigo primeiro-ministro do que de António Costa.
“Eu penso que o doutor Pedro Passos Coelho já disse que não vai tomar posição nestas eleições presidenciais. Se me dissesse assim: ‘Se ele estivesse agora aqui, ao seu lado, o doutor Pedro Passos Coelho, ficava honrado com isso? Ficava”, disse o também presidente do Chega, que falava aos jornalistas durante uma arruada em Sines, no distrito de Setúbal.
Já se tivesse ao seu lado, na campanha, António Costa, “corria com ele”, disse.
Também Catarina Martins lembrou o antigo primeiro-ministro social-democrata ao considerar que Mendes, Seguro, Ventura e Cotrim são “herdeiros de Passos Coelho” e, recordando o período de intervenção da ‘troika’, sublinhou que quem quiser “puxar pelos salários” sabe em quem deverá votar.
“Quando penso nos orçamentos de (Pedro) Passos Coelho e no seu Governo, lembro-me do país a empobrecer, das pensões cortadas contra a Constituição. Quem tiver saudades dos alunos com fome nas escolas, talvez goste muito desta herança de Passos Coelho”, afirmou a candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda.
Concorrem também às eleições presidenciais António José Seguro (apoiado pelo PS), António Filipe (apoiado pelo PCP), Jorge Pinto (apoiado pelo Livre), o pintor Humberto Correia, o sindicalista André Pestana e o músico Manuel João Vieira.
A campanha para as eleições presidenciais de 18 de janeiro termina no dia 16, para o habitual dia de reflexão na véspera do sufrágio.