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O período de férias coincide com os meses de verão, caracterizados por altas temperaturas, maior umidade e mudanças significativas na rotina dos animais de companhia. Essas condições ambientais favorecem a proliferação de agentes infecciosos e parasitários, tornando essa época especialmente crítica do ponto de vista clínico e diagnóstico na Medicina Veterinária.
Além disso, viagens, hospedagens coletivas, maior permanência em ambientes externos e contato com outros animais aumentam a exposição a patógenos e vetores, exigindo atenção redobrada dos profissionais.
Impacto Clínico e Riscos Associados
Durante o verão, observa-se aumento na incidência de enfermidades transmitidas por pulgas, carrapatos e mosquitos, bem como distúrbios gastrointestinais, dermatopatias e infecções sistêmicas. O estresse térmico e ambiental pode atuar como fator imunossupressor, favorecendo a manifestação de doenças subclínicas ou a reativação de infecções latentes.
Muitos desses quadros apresentam sinais clínicos inespecíficos, como apatia, febre, vômitos e diarreia, o que reforça a necessidade de uma abordagem diagnóstica criteriosa e baseada em evidências.
Diagnóstico Laboratorial como Estratégia Preventiva
A prevenção nas férias deve incluir a incorporação do diagnóstico laboratorial à rotina clínica pré-verão. Exames como hemograma completo, perfil bioquímico, urinálise, coproparasitológico e testes rápidos para doenças infecciosas permitem identificar alterações hematológicas, inflamatórias e metabólicas antes da manifestação clínica evidente.
Essa abordagem é especialmente relevante para animais idosos, pacientes com comorbidades e aqueles que serão expostos a novos ambientes ou regiões com diferentes perfis epidemiológicos.
Tomada de Decisão Clínica no Período de Férias
Durante as férias, a interpretação integrada dos resultados laboratoriais, associada à anamnese detalhada e ao contexto epidemiológico, é fundamental para o diagnóstico diferencial e para a escolha da conduta terapêutica adequada. O acompanhamento diagnóstico contribui para a redução de complicações, internações emergenciais e impactos na qualidade de vida dos animais.
Considerações Finais
A prevenção nas férias vai além das medidas profiláticas tradicionais. Envolve planejamento, monitoramento e uso estratégico do diagnóstico veterinário como ferramenta essencial para a prática clínica no verão. Dessa forma, o profissional atua de maneira proativa, promovendo saúde, bem-estar e segurança aos animais de companhia.
Sobre a autora
Dra. Alice Sampaio Del Colletto
Doutora em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP), biomédica com habilitação em histotecnologia clínica e anatomia. Atua como coordenadora dos cursos de Biomedicina e Medicina Veterinária no Centro Universitário Estácio de Santo André e como Pró Reitora de Pesquisa, Extensão e Internacionalização da mesma instituição. É pesquisadora associada ao Laboratório de Biotecnologia e Bioengenharia Celular e Molecular da UFABC. Suas áreas de atuação envolvem anatomia comparada, histotecnologia, imuno-histoquímica, oncologia, biotecnologia e pesquisa translacional em saúde.
Referências
• Oliveira FJ, Smith MH, et al. Regional and seasonal variability in canine parasitism across the United States. Vet Parasitol. 2025;339:110579.
• Companion Animal Parasite Council. Seasonality and changing prevalence of common canine gastrointestinal nematodes in the USA. Parasites & Vectors
• Nagata WB, Moreno GP, Camargo Neto JA, et al. Prevalence of potentially zoonotic endoparasites in domestic dog puppies: epidemiology and public health implications. Vet Sci. 2025;12(4):332.
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