A cidade que nunca dorme viu desaparecer, no início do ano, mais um símbolo urbano. Depois de ter eliminado o clássico token do metro, Nova Iorque reformou, no dia 1 de janeiro, o MetroCard. Não tardou até que os mais espertos começassem a faturar centenas ou milhares de dólares online.

MetroCard

O início do ano de 2026 marcou o fim de um cartão usado por milhões de passageiros durante três décadas. Depois de ter eliminado o clássico token do metro, Nova Iorque decidiu reformar o MetroCard.

Desde o dia 1 de janeiro, o cartão deixou de estar à venda, por forma a abrir o caminho ao OMNY, um sistema de pagamento contactless que permite pagar viagens com cartões, smartphones ou outros dispositivos inteligentes.

MetroCard deixa um histórico de liberdade, mas também frustração

Lançado em 1994 para substituir o antigo token de latão, o MetroCard tornou-se um ícone cultural.

Passar de tokens para outra forma de pagamento enfrentou alguma resistência, porque os tokens funcionavam. Mas o MetroCard trouxe uma nova forma de pensar para os nova-iorquinos.

Recorda a curadora do New York Transit Museum, Jodi Shapiro, conforme citado pelo The Guardian.

Edição do MetroCard dedicada à série Seinfeld, Crédito: Reddit

O cartão foi, também, uma plataforma cultural. Por via de edições comemorativas, artistas, como David Bowie e Olivia Rodrigo, e séries de TV, como Seinfeld e Law & Order, marcaram o seu legado.

Mesmo figuras políticas sentiram o desafio de o usar, como Hillary Clinton, que precisou de cinco tentativas, durante a campanha presidencial de 2016.

Para muitos nova-iorquinos, a opção de viagens ilimitadas durante 30 dias oferecia uma sensação de liberdade, permitindo explorar a cidade de ponta a ponta quase sem restrições.

Crédito: Michael Nagle para o The New York Times

Contudo, o MetroCard tinha falhas: a faixa magnética sensível podia falhar, obrigando a múltiplas tentativas, e o uso de vários cartões causava atrasos e frustrações nos passageiros.

Afinal, o MetroCard exigia técnica, uma vez que era necessário passar o cartão no ângulo e velocidade corretos, separando residentes de turistas.

Mais do que um bilhete, permitia que passageiros oferecessem um cartão extra a alguém sem bilhete, criando pequenas demonstrações de solidariedade.

No dia 31 de dezembro, a cidade encerrou o ciclo do MetroCard, com um funeral simbólico no Washington Square Park, em Manhattan, que reuniu dezenas de pessoas.

Os mais espertos já ganham dinheiro online

Após o fim do MetroCard, o cartão deixou de ser visto como um simples bilhete de transporte e passou a ser encarado como uma peça de coleção e um símbolo da história da cidade.

Nesse sentido, em sites como o eBay, multiplicam-se anúncios com preços que vão de algumas dezenas a vários milhares de dólares. Um dos casos mais surpreendentes é o de um MetroCard à venda por 3500 dólares (cerca de 2987 euros).

Muitos vendedores explicam que o interesse dos compradores se deve sobretudo à nostalgia associada ao cartão, cuja utilização foi descontinuada há cerca de uma semana.

Ao New York Post, o vendedor Richard Usowicz contou que decidiu colocar os seus MetroCards à venda por 155 dólares, depois de se aperceber da atenção mediática gerada pelo fim do cartão.

Apesar do valor emocional associado ao MetroCard, os dados da Autoridade Metropolitana de Transportes (em inglês, MTA) mostram que, em dezembro, cerca de 94% das viagens já eram pagas através do sistema digital OMNY, confirmando a pertinência de uma transição completa para os pagamentos contactless.