O objetivo é convencer os países a assinar o acordo com o Mercosul que foi adiado, o mês passado, por falta de consenso.

Antes de uma reunião para discutir o acordo com o Mercosul, depois de a assinatura ter sido adiada quando esteve prevista para o fim de dezembro do ano passado, a presidente da Comissão Europeia propõe um acesso antecipado a alguns fundos agrícolas do orçamento da UE para 2028-2034.

Na proposta hoje presentada aos estados-membros, Ursula von der Leyen salienta que a ideia é que possam ter direito a até dois terços do montante normalmente disponível para a revisão intermediária assim que apresentem o seu plano nacional.

São cerca de 45 mil milhões de euros que podem ser mobilizados imediatamente para apoiar os agricultores”, pode ler-se na carta da presidente da Comissão Europeia.

Esta proposta surge um dia antes da reunião dos ministros da agricultura dos 27, marcada para amanhã para tentar convencer os países que têm mais dificuldades em avançar com a assinatura do acordo de livre comércio com o bloco sul-americano Mercosul. É o caso da França e da Itália.

Ursula von der Leyen refere que a Política Agrícola Comum no quadro financeiro de 2028-2034 continuará a desempenhar o seu papel como principal instrumento político da UE para garantir aos agricultores um rendimento justo, assegurar a segurança alimentar a longo prazo e melhorar a atratividade e os padrões de vida nas zonas rurais.

No entanto nesta nova proposta a presidente da comissão europeia mantem a ideia dos planos nacionais que juntam política agrícola comum e fundos de coesão. O Parlamento Europeu e os agricultores têm exigido que as duas políticas estruturantes se mantenham separadas e com distintos envelopes financeiros.

A proposta agora apresentada tem sobretudo como objetivo acalmar os protestos dos agricultores e apresentar aos países uma via mais vantajosa para poderem dizer ao acordo com os países do Mercosul que se prevê, seja assinado no fim deste mês.