Yusuke Oba
LuMi em Sydney
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Invenção, precisão, dedicação e visão continuam a definir o cenário gastronômico global. O universo dos restaurantes vive um novo momento de reconhecimento, evidenciado por distinções como estrelas Michelin em novos mercados e listas como World’s 50 Best, La Liste e Best Chef Awards.
Este não é um desses rankings. Não se trata de reconhecer o que já foi feito, mas de antecipar o que pode estar por vir. Três profissionais da gastronomia compartilharam o que mais os impressionou ao longo do último ano. Kristian Brask Thomsen é embaixador gastronômico global, cineasta (Michelin Stars) e gerente de turnês internacionais. A modelo que se tornou embaixadora da alta gastronomia, Aiste Miseviciute, dirige o hub culinário Luxeat. Já Flip Dejaeghere viaja quase sem parar em busca “dos restaurantes mais refinados, onde quer que estejam”, trabalho que registra em @flipworldfoodie.
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Algumas das recomendações são novidades; outras são reaberturas ou evoluções. Há ainda aquelas que permanecem fora do radar — ao menos por enquanto. Talvez apareçam em listas consagradas, talvez não. Ainda assim, oferecem reconhecimento informal e experiências gastronômicas relevantes.
(Nota: esta é uma lista em ordem alfabética, não um ranking)
10 restaurantes pelo mundo para colocar no radar em 2026
Araya, Singapura

Guo Jie Khoo
O balcão em Araya
Segundo Brask Thomsen, a história conta que o chef chileno Francisco Araya esgotou seus cartões de crédito para abrir um balcão de oito lugares no quintal de uma casa em Tóquio e, pouco depois, recebeu uma estrela Michelin, o que lhe permitiu quitar as dívidas. O novo Araya, em Singapura, aberto com sua parceira, a chef Fernanda Guerrero, é diferente. O balcão é atualmente o único restaurante chileno com estrela Michelin no mundo e apresenta uma narrativa culinária chilena influenciada pelo período de Araya na Espanha (El Bulli) e no Japão, combinando ingredientes da Patagônia e do Japão com uma temática do Pacífico Sul. Produtos japoneses como kinki e shirako ganham contraste com aji amarillo e merkén do Chile, acompanhados por pombo francês e caviar, preparado com precisão comparável à do Disfrutar, em Barcelona.
Angelo Ciccolo
Da Lucio
Um dos restaurantes de frutos do mar mais relevantes da costa do Adriático está à beira-mar em Rimini e é especializado em peixes selvagens de grande porte, segundo Miseviciute. O chef Jacopo Ticchi, natural da região da Romanha, e sua equipe no Da Lucio seguem uma filosofia “da nadadeira às guelras”, na qual até as vísceras do peixe são transformadas em preparações. O uso do fogo, por meio de grelha a carvão e forno a lenha, define o caráter da cozinha. A trajetória de Ticchi inclui passagens pela Austrália, Espanha e quatro anos de formação com Pietro Leemann no Joia, em Milão. Desde o retorno à cidade natal, ele tem explorado a maturação de peixes, desenvolvendo um estilo próprio e contemporâneo. Trata-se de uma das experiências de alta gastronomia mais marcantes da Itália atualmente.
The Jane 2.0, Antuérpia, Bélgica

Pieter D’Hoop
O chef Nick Bril no Jane
Após quase uma década como um dos restaurantes mais reconhecidos da Europa, The Jane iniciou uma nova fase, explica Dejaeghere. O novo endereço abriga um projeto em que gastronomia, arte, design e atmosfera se encontram. No centro está uma cozinha de fogo aberto, onde o chef Nick Bril atua de forma direta no preparo dos pratos. A proposta é uma culinária focada em ingredientes e sabores diretos, com pratos pensados para estimular os sentidos de maneira equilibrada.
Knystaforsen, Rydabäck, Suécia

Eva H. Tram
Um chef cuida do fogo em Knystaforsen
No interior da floresta sueca, às margens do rio Nissan, na região rural de Halland, Knystaforsen é descrito por Dejaeghere como um lugar singular. O chef Nicolai Tram e sua esposa, Eva, recebem os clientes em sua antiga residência, onde o preparo acontece em fogo aberto. Cada prato se baseia nos elementos do rio, da floresta e do fogo, transformados em composições simples e precisas. A experiência inclui desde refeições ao ar livre até um salão iluminado por velas, propondo a refeição como um percurso, e não apenas como um serviço.
Largo do Paço, Amarante, Portugal

Luis Ferraz
Chef Francisco Quintas e a sua equipa no Largo do Paço
Localizado no histórico hotel Casa da Calçada, em Amarante, o Largo do Paço é apontado como um símbolo da renovação da alta gastronomia portuguesa. Sob o comando do chef Francisco Quintas, o restaurante revisita a tradição por meio de técnica e clareza de conceito. Os pratos partem do território, com referências de experiências internacionais, e mantêm foco em produtos sazonais. O menu se desenvolve como uma sequência coerente, conectando sabor e memória, representando uma nova etapa da cozinha portuguesa contemporânea.
Yusuke Oba
Um prato no LuMi
Apesar de existir há cerca de dez anos, LuMi passou despercebido para Brask Thomsen até recentemente, quando recebeu diversas recomendações. Ao visitar o restaurante, confirmou as expectativas. O chef Federico Zanellato apresenta um menu técnico e consistente em um salão com cozinha aberta. Sua formação reúne referências de diferentes casas de destaque internacional, como La Pergola, em Roma, Noma, em Copenhague, e RyuGin, em Tóquio. O resultado é uma sequência de pratos estruturados, com domínio técnico e identidade própria.
Rocio Tapas y Sushi, Málaga, Espanha

Cortesia do restaurante
Rocio Tapas y Sushi
Mesmo para quem frequenta restaurantes ao redor do mundo, surpresas ainda acontecem, observa Brask Thomsen. Esse é o caso do Rocio Tapas y Sushi, um pequeno restaurante de esquina que, externamente, lembra um café de bairro. No interior, Juan Bautista conduz um espaço com poucas mesas e um balcão de omakase, onde serve sushi de alto nível. O menu valoriza ingredientes de destaque, com o atum-rabilho espanhol como elemento central, preparado de forma cuidadosa e consistente.
Cortesia do restaurante
Row on 5
Row on 5, dos chefs Jason Atherton e Spencer Metzger, ex-chef executivo do Ritz de Londres, abriu em dezembro passado e recebeu uma estrela Michelin pouco depois. Distribuído em dois andares abaixo da Savile Row, o restaurante apresenta uma interpretação contemporânea da alta gastronomia, segundo Miseviciute. A cozinha é clássica contemporânea, com foco em ingredientes britânicos, como vieiras de Orkney e veado sika de Dorset. A carta de vinhos, elaborada pela sommelier Roxane Dupuy, inclui mais de 100 rótulos disponíveis em taça. O restaurante também oferece serviço de lavagem a seco do casaco na chegada.
Sons & Daughters, São Francisco

Cortesia do restaurante
Parte do menu de verão do Sons & Daughters
Fundado em 2010, Sons & Daughters permaneceu por anos com pouca projeção internacional, até a chegada do chef britânico Harrison Cheney, vencedor do Young Michelin Award de 2023, seguida pela conquista da segunda estrela Michelin. Recentemente, o restaurante mudou para um novo endereço no bairro Mission, três vezes maior que o espaço anterior em Nob Hill. A casa passou a adotar princípios da Nova Cozinha Nórdica, refletindo a experiência de Cheney como chef do Gastrologik, em Estocolmo. O menu apresenta pratos de perfil minimalista, baseados em ingredientes do noroeste dos Estados Unidos, combinando técnicas nórdicas, conservas, frutos do mar, carnes maturadas e molhos estruturados.
Aiste Miseviciute
Mestre de sushi Mei Kogo no Sushi Meino
Algo impensável há alguns anos: Tóquio conta hoje com algumas mulheres mestres de sushi, observa Miseviciute. Mei Kogo é uma delas. Antes de abrir o Sushi Meino, em Azabu Juban, treinou por dez anos em casas tradicionais como Sushi Sho e Sushi Arai. Também passou um ano na França estudando para se tornar sommelier, o que se reflete na seleção de vinhos do restaurante. Em seu próprio balcão, Mei Kogo conduz um sushi-ya de alto nível, comparável aos melhores da cidade.
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