A 18 de janeiro, os portugueses vão às urnas escolher o próximo presidente da República: André Pestana, André Ventura, António Filipe, António José Seguro, Catarina Martins, Henrique Gouveia e Melo, Humberto Correia, João Cotrim de Figueiredo, Jorge Pinto, Luís Marques Mendes ou Manuel João Vieira.


O primeiro tema em discussão foi a intervenção dos Estados Unidos com uma operação militar na Venezuela e as consequências para o globo. Luís Marques Mendes admitiu que se trata de uma situação “muito delicada” e que a intervenção que é feita claramente à margem das regras do Direito Internacional.




“Este facto pode legitimar outras intervenções”, alertou, acrescentando que “pode abrir precedentes para o futuro”. O candidato apoiado pelo PSD assinalou ainda que as Nações Unidas “não funcionam hoje em dia”.

O derradeiro confronto na televisão pública acontece depois de 28 debates televisivos entre os oito candidatos inicialmente validados pelo Tribunal Constitucional e é moderado pelo jornalista Carlos Daniel.

Luís Marques Mendes lembrou ainda que a Constituição prevê mais responsabilidades para o presidente da República a nível da política externa e que a principal preocupação do chefe de Estado deve ser com a situação da comunidade portuguesa.

De seguida, Henrique Gouveia e Melo assinalou que Portugal é um país “de média dimensão e a coisa que mais nos protege é o Direito Internacional”.

“Devemos ser claros mesmo com os nossos aliados”, vincou, assumindo receio por uma “ordem internacional com base na força”.

“Está em causa o futuro das relações internacionais”, completou, condenando que se trate um país “como se fosse uma colónia”, posição que já adotou nos últimos dias.

André Ventura considerou que é importante que um “tirano” e “narcotraficante” possa “acabar na cadeia”, lembrando a prisão e a morte de opositores.


“O Direito internacional existe para proteger povos, para proteger pessoas”, afirmou o candidato apoiado pelo Chega, questionando aos restantes candidatos se também estão “contra a captura do Osama bin Laden”.

Ventura lembrou ainda que Portugal não reconheceu Maduro mas últimas eleições e criticou que a Europa “ficou à sombra” dos Estados Unidos após a II Guerra Mundial.

António José Seguro assumiu, em primeiro lugar, preocupação com a comunidade portuguesa e vincou que este é “um momento decisivo para a geopolítica mundial”.

Para o candidato apoiado pelo PS, Portugal deve reagir “com prudência mas com firmeza”, defendendo a realização uma reunião de líderes da NATO: “É importante prevenir mais do que reagir”, assinalando a importância de uma “conversa entre aliados”.

João Cotrim de Figueiredo diz que é possível celebrar a queda de um “ditador sanguinário” mas também “condenar a forma como foi feito”.

O candidato liberal afirma que se deve “exigir um futuro com democracia para a Venezuela”.



Catarina Martins lembrou que Donald Trump perdoou ex-presidente das Honduras e recebeu na Casa Branca o “ditador saudita que mandou esquartejar um jornalista”.

A candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda considerou que a segurança da Europa “não pode estar nas mãos dos Estados Unidos” e que há falta de “uma estratégia europeia” para a cooperação em segurança e defesa.


António Filipe afirmou que “não compete a um estado interferir noutro Estado”
e que os Estados Unidos recorreram ao “direito da força” quando lançaram o ataque sobre a Venezuela.

O candidato apoiado pelo PCP não hesita em condenar “uma violação grosseira e brutal” e critica a reação do Governo português, que considerou a intervenção “benigna” quando o objetivo é “controlar recursos e petróleo”.


Jorge Pinto diz que quando confrontados com uma “invasão ilegal” ninguém “pode estar confortável”.

Apesar do “repúdio” para com o regime, o candidato apoiado pelo Livre afirma que se dá “carta-branca” a outros líderes do mundo para ataques deste tipo. Lançou críticas a Donald Trump, que apenas falou do domínio de recursos naturais e que, após este ataque, podem seguir-se outras incursões, na Gronelândia ou mesmo nos Açores.


Manuel João Vieira considerou que nenhum dos candidatos, chegando a presidente, gostaria de ser “extraído”
como aconteceu com Nicolás Maduro. Passou-se das regras para o “não há direito” onde “qualquer país pode ser intervencionado”.

André Pestana lamentou a “mudança de paradigma em que o lucro justifica tudo” e considerou que uma potência como os EUA não pode “achar-se no direito de invadir, bombardear e raptar pessoas”.

Sobre os gastos em defesa, argumentou que “já há armas no mundo suficientes para destruir a humanidade várias vezes” e apelou à mobilização por parte da sociedade civil.



Humberto Correia começou por defender que “o que se passa na Venezuela é a prova de que o comunismo não funciona”
e mostrou preocupação com um cenário de guerra civil no país. Disse que o Governo português deve estar atento à comunidade e que a Europa se deve unir para assegurar a sua defesa.