A segunda entrega da sondagem diária da Pitagórica para o JN, TSF, TVI e CNN traz novidades e acentua diferenças. António José Seguro (20,7%) destaque-se no primeiro lugar, com mais de dois pontos de vantagem sobre um trio de candidatos separados por apenas uma décima: André Ventura (18,4%), Henrique Gouveia e Melo (18,3%) e João Cotrim Figueiredo (18,3%). Um pouco mais atrás continua Luís Marques Mendes (15%). Há menos indecisos (12,2%), mas continua a registar-se uma situação de empate técnico entre os cinco favoritos. O social-democrata não perdeu o estatuto de favorito a passar à segunda volta (32%).
Se, na primeira entrega desta “tracking poll”, a diferença entre o primeiro e o quinto era de quatro pontos percentuais, ao segundo dia o fosso alarga-se para seis pontos. No entanto, e tendo em conta uma margem de erro de mais ou menos 4%, continuam a ser cinco os candidatos que podem aspirar à segunda volta. Um exemplo basta, para se perceber que é assim: o patamar máximo de Mendes (18%) continua a ser superior ao mínimo de Seguro (17,4%). No entanto, a probabilidade de acontecer o inverso também existe, ou seja, o ex-líder socialista pode chegar aos 24% na primeira volta (patamar máximo) e o ex-líder social-democrata cair para os 12,1% (patamar mínimo).
Ventura, Gouveia e Melo e Mendes em queda ligeira
Para além de haver mudanças na percentagem de intenções de voto de cada um, há também tendências diferentes (os próximos dias confirmarão se são apenas sobressaltos): Seguro ganha quase ponto e meio, e por isso se destaca no primeiro lugar, enquanto Ventura e Gouveia e Melo perdem fôlego (no caso do almirante quase um ponto). Cotrim mantém a tendência de crescimento que se manifesta desde outubro passado (duplica esse resultado) e Mendes volta a perder mais umas décimas (se tivermos em conta o pico atingido em novembro, já são mais de oito pontos e uma queda contínua).
Recorde-se que, neste tipo de estudo de opinião, entram 200 novos inquiridos todos os dias, retirando-se os 200 mais antigos da equação. O que isto quer dizer é que o apelo de Luís Montenegro ao voto útil em Marques Mendes não está a ter, para já, qualquer efeito. Em particular junto do eleitorado a que se dirigiu em particular, os socialistas e os liberais, uma vez que os candidatos apoiados por estes partidos estão em trajetória ascendente.
Mas também à Esquerda os sucessivos apelos de Seguro ao voto útil parecem não estar a ser ouvidos. O conjunto de três candidatos mais à Esquerda continua a somar cerca de oito pontos percentuais, o que significa que o socialista está a ir buscar apoios a outros setores: o comunista António Filipe até cresce para os 3,5%, enquanto a bloquista Catarina Martins se mantém nos 2,9% e o deputado do Livre Jorge Pinto cai para os 1,3%, o mesmo resultado que o independente Manuel João Vieira.
Mendes favorito para a segunda volta, Cotrim mais popular
Marques Mendes, que chegou a estar em primeiro lugar nas sondagens de novembro e de dezembro, continua a ser, e provavelmente por causa da memória desses resultados, o favorito dos portugueses para passar à segunda volta: 32% acreditam que assim será. Segue-se André Ventura, com 23% e, bastante mais abaixo, António José Seguro, com 11%. Uma percentagem que provavelmente começará a subir nos próximos dias.
Cotrim Figueiredo, que está nesta altura rigorosamente empatado com Ventura e o almirante (só os separa uma décima) na luta pelo segundo lugar, ainda não conseguiu convencer os portugueses: só 5% acredita que chegará à final. Mas o liberal é o mais valorizado, quando se pergunta se a opinião sobre cada candidato está a melhorar ou a piorar: tem um saldo positivo de 29 pontos, enquanto Seguro se fica pelos 21 e Jorge Pinto por 11. Com saldo negativo seguem Ventura (30 pontos), Gouveia e Melo (25 pontos), Mendes (20 pontos), Catarina Martins (17 pontos) e António Filipe (4 pontos).
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Seguro lidera entre as mulheres e os mais velhos
Apesar do empate técnico a cinco, e em particular dos quatro primeiros (que estão separados por escassos dois pontos percentuais), quando se analisam os diferentes segmentos da amostra (género, idade, geografia, classe social e voto partidário), percebem-se as diferenças na composição dos seus eleitorados (resultados sem distribuição de indecisos).
António José Seguro, desde logo, revela equilíbrio no género, apesar de só estar à frente graças às mulheres (18,2%), e com apenas mais um ponto do que Gouveia e Melo. No que diz respeito às três faixas etárias, sobe em todas, mas continua a ser muito mais forte entre os mais velhos (22,9%), com meio ponto de vantagem sobre o almirante.
Ao nível regional, o ex-secretário-geral do PS vai à frente no Centro (19,4%), mas também no Norte (18,4%), embora aqui sem qualquer alteração de um dia para o outro. Mas o maior salto é na verdade na região de Lisboa (cresceu quase quatro pontos). No caso das classes sociais, há uma tendência para ter mais votos quanto menor for o rendimento dos eleitores, mas é na classe média que está à frente de todos os outros (17,9%), ainda que a vantagem sobre Ventura seja de escassas quatro décimas.
Ventura masculino e vitorioso nos mais pobres
No caso de André Ventura, mantém-se o acentuado pendor masculino. Se dependesse apenas dos homens, aliás, o líder do Chega seria, nesta altura, o vencedor da primeira volta (18,8%), ainda que com apenas meio ponto de vantagem sobre Cotrim. Nas faixas etárias, continua particularmente forte nos 35/54 anos (20,7%), de novo com o liberal a morder-lhe os calcanhares. O ponto débil, como habitualmente, são os mais velhos (55 anos em diante).
Quando o ângulo é a geografia, Ventura só lidera no Sul do país (20,1%), com quase três pontos de vantagem sobre Seguro, e teria o seu pior resultado em Lisboa. No caso do líder do Chega, há uma relação nítida entre o rendimento e o voto: quanto mais pobre o eleitor, maior a percentagem, vencendo entre os que têm menores rendimentos (20%), com mais um ponto do que o almirante.
Cotrim destacado nos mais jovens e mais ricos
João Cotrim Figueiredo tem, na maioria dos casos, uma tipologia de eleitor muito diferente da de André Ventura, mas partilha agora com o líder do Chega o pendor masculino do voto (de um dia para o outro, perdeu quase dois pontos entre elas e cresceu quase três entre eles). No que diz respeito aos escalões etários, e apesar da perda de algum fulgor, continua líder destacado nos 18/34 anos (24,2%), com uma vantagem de sete pontos sobre Ventura.
Na análise à distribuição do voto pelo país, o liberal volta a destacar-se na liderança em Lisboa (20,8%), com uma vantagem de cinco pontos sobre Seguro. Também está a crescer na Região Norte, mas, em contrapartida, está bastante abaixo da média no Centro e no Sul do país. No que diz respeito a classes sociais, é uma evidência que quanto maior o rendimento, maior o apoio, liderando destacado entre os mais abastados (22,8%), de novo com um pouco mais de cinco pontos sobre Seguro.
Almirante e Mendes mais femininos mas sem liderança
Henrique Gouveia e Melo, ao contrário de Ventura e Cotrim, tem um voto mais feminino (consegue mais três pontos percentuais entre elas do que entre eles). No que diz respeito aos escalões etários, o apoio cresce à medida que o eleitor envelhece (há uma diferença de 13 pontos entre o que consegue junto dos mais novos e o resultado entre os mais velhos). Relativamente às regiões, o seu ponto fraco é o Sul do país, revelando equilíbrio no resto do território. À semelhança de Ventura, quanto menor o rendimento, maior o apoio.
Luís Marques Mendes, que, tal como o almirante, não vence em nenhum dos segmentos da amostra, também tem um pendor mais feminino (mais três pontos entre elas do que entre eles). No que diz respeito às idades, até cresce entre os mais velhos de um dia para o outro, mas caiu nos 35/54 anos. A região mais generosa com o social-democrata é o Norte e verifica-se que tem uma quebra acentuada em Lisboa, compensada por uma subida no Centro. Também Mendes tem a tendência de conseguir um pouco mais de votos à medida que os rendimentos diminuem.
Dispersão na AD, concentração do Chega em Ventura
Quando se comparam os votos das legislativas de maio do ano passado com as intenções de voto nesta primeira volta das presidenciais, confirma-se que a maior dispersão é entre os eleitores da AD: Mendes colhe apenas três em cada dez eleitores de Luís Montenegro, pouco mais do que Cotrim. Há também uma generosa fatia deste eleitorado que opta por Gouveia e Melo.
No caso do PS, Seguro parece ir conquistando o seu lugar a pulso, mas ainda falta um pouco mais para chegar a cinco em cada dez eleitores socialistas, sendo que um quarto destes opta, nesta altura, pelo almirante. No caso do Chega, vai-se acentuando o domínio de Ventura, que recolhe sete em cada dez eleitores das legislativas. Mas um em cada dez está com Gouveia e Melo. Pelo menos por enquanto.
Tracking poll: Sondagem diária até 16 de janeiro
O JN publicará uma “tracking poll”, diariamente, até 16 de janeiro, último dia em que é permitida a publicação de sondagens. Poderá seguir a evolução das intenções de voto na edição online, sempre às 20.30 horas, ou na edição impressa. Um estudo de opinião que funciona de uma forma diferente do habitual. Arranca como qualquer outra sondagem, com uma amostra de cerca de 600 inquéritos, que representam o nosso universo eleitoral. A cada dia, acrescentam-se 200 entrevistas, retirando-se as 200 mais antigas. Ao fim de três dias, a amostra estará completamente renovada, relativamente ao dia de arranque. E assim sucessivamente até às vésperas da ida às urnas que, para usar uma frase feita, mas ne por isso menos verdadeira, é a “sondagem” que conta.
Ficha Técnica
Durante 3 dias (3, 4 e 5 de janeiro de 2026) foram recolhidas diariamente pela Pitagórica para a TVI, CNN Portugal, TSF e JN um mínimo de 202 a 203 entrevistas (dependendo dos acertos das quotas amostrais) de forma a garantir uma sub-amostra diária representativa do universo eleitoral português (não probabilístico). Foram tidos como critérios amostrais o género, três cortes etários e 20 cortes geográficos (Distritos + Madeira e Açores). O resultado do apuramento dos três últimos dias de trabalho de campo, resultou numa amostra de 608 entrevistas que para um grau de confiança de 95,5% corresponde a uma margem de erro máxima de ±4,06%. A seleção dos entrevistados foi realizada através de geração aleatória de números de “telemóvel” mantendo a proporção dos três principais operadores móveis. Sempre que necessário foram selecionados aleatoriamente números fixos para apoiar o cumprimento do plano amostral. As entrevistas são recolhidas através de entrevista telefónica (CATI- Computer Assisted Telephone Interviewing). O estudo tem como objetivo avaliar a opinião dos eleitores portugueses, sobre temas relacionados com as eleições presidenciais, nomeadamente os principais protagonistas, os momentos da campanha, bem como a intenção de voto dos vários candidatos. Foram realizadas 1220 tentativas de contacto, para alcançarmos 608 entrevistas efetivas, pelo que a taxa de resposta foi de 49,84%. A distribuição de indecisos é feita de forma proporcional. A direção técnica do estudo é da responsabilidade de Rita Marques da Silva. A ficha técnica completa, bem como todos os resultados, foram depositados junto da ERC – Entidade Reguladora da Comunicação Social que os disponibilizará para consulta online.