A frase
“A pessoa que foi eleita para ser a Presidente da Venezuela em 2024, Marina Corina Machado, saiu do esconderijo, chegou a Oslo e saiu para cumprimentar os apoiantes”
– A utilizadora do X, Mila Joy
O contexto
A frase foi partilhada no antigo Twitter há dois dias, apesar de se referir ao contexto da chegada, em Dezembro, de Maria Corina Machado a Oslo, na Noruega, onde recebeu o Prémio Nobel da Paz. É um exemplo de múltiplas alegações nas redes sociais que passam a ideia falsa de que foi Corina a vencer as últimas eleições.
O recente ataque dos Estados Unidos à Venezuela, durante o qual aconteceu a captura de Nicolás Maduro e da sua mulher, Cilia Flores, impôs uma mudança na liderança do país. O Presidente deposto foi entretanto presente ao juiz do tribunal federal de Nova Iorque, onde garantiu ser inocente. É acusado de narcotráfico e terrorismo pelo Departamento de Justiça dos EUA.
A Venezuela está agora aos comandos de Delcy Rodriguez, que era vice-presidente e que emergiu a líder actual apesar de Donald Trump ter anunciado que os EUA iriam assumir a gestão do país até que se pudesse fazer uma “transição segura”. Sem querer dar muitos pormenores, deu a entender que o poder ficaria nas mãos de uma equipa composta por vários nomes norte-americanos – como o secretário de Defesa, Pete Hegseth, ou o de Estado, Marco Rubio —, mas também deu a entender que Rodríguez estaria disposta a trabalhar com Washington numa nova fase para a Venezuela.
Os factos
As últimas eleições na Venezuela aconteceram a 28 de Julho de 2024. A vitória foi atribuída pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE) a Nicolás Maduro com pouco mais de 51% dos votos. Mas este resultado foi contestado pela oposição, que afirma que houve fraude e que Edmundo González Urrutia obteve cerca de 70% dos votos.
Oficialmente, Maduro obteve 5,15 milhões de votos, à frente do candidato da oposição Edmundo Gonzalez Urrutia, que somou pouco menos de 4,5 milhões (44,2%). Estes resultados são os anunciados oficialmente pelo presidente do CNE, Elvis Amoroso.
Tanto a oposição venezuelana como vários países da comunidade internacional denunciaram o escrutínio como fraudulento e exigiram a apresentação dos registos de votação para que pudessem ser verificados de forma independente.
Em Novembro, quatro meses depois das eleições presidenciais na Venezuela, os ministros dos Negócios Estrangeiros do G7 reconheceram a vitória de Edmundo González Urrutia contra Nicolás Maduro.
Também os Estados Unidos atribuíram a vitória a Edmundo González e consideraram-no o presidente eleito neste acto eleitoral, acusando Maduro de fraude.
Portugal foi, inclusive, um de 22 países subscritores, a par da União Europeia, de uma declaração divulgada em Agosto que pedia a “publicação imediata das actas originais” das eleições e a verificação “imparcial” e “independente” dos resultados.
Assim, são inúmeras as notícias que dão conta destes resultados eleitorais e em nenhuma é feita qualquer referência a María Corina Machado, vencedora do Prémio Nobel da Paz em Outubro de 2025. Há mais de 20 anos que luta pelo regresso da Venezuela à democracia, mas o seu nome não esteve no boletim de voto das eleições de 2024.
A sua candidatura foi impedida na sequência de uma decisão judicial que a proíbe de desempenhar cargos públicos, num caso que disse ser politicamente motivado. Em alternativa, foi apresentado Edmundo Gonzalez como candidato.
Em Dezembro de 2025, depois de mais de um ano exilada, María Corina Machado viajou para Oslo, quebrando uma proibição imposta pela Venezuela de sair do país, relatou a CNN. Machado saudou dezenas de pessoas da varanda do Grand Hotel de Oslo, onde tradicionalmente ficam alojados os vencedores do Nobel.
São estas imagens que circulam na publicação em causa, que afirma falsamente que María Corina Machado foi a vencedora das presidenciais de 2024.
O veredicto
É falso que María Corina Machado tenha vencido as eleições presidenciais de 2024 na Venezuela. A CNE deu a vitória a Nicolás Maduro e a comunidade internacional ao seu principal opositor, Edmundo González.