Henrique Gouveia e Melo apontou para os sapos de loiça — muitas vezes utilizados por comerciantes para afastar ciganos e já utilizados no Tik Tok por Ventura — mas deu-lhe outro significado: “Há muitos sapos no pântano que tem sido a política portuguesa”. A ideia era dizer que não queria falar do passado, mas o artigo do ex-Presidente  da República publicado Observador não lhe deu margem para não responder:”Eu não concorro contra o senhor ex-Presidente Cavaco Silva, concorro por um futuro.”

No final da Feira de Reis, em Vila Verde, Alijó, acrescentou que muitos ainda não perceberam que “o lugar da presidência não é um lugar partidário. [O Presidente] não vai lá para fazer trabalho partidário.” E protestou: “Não quero saber do artigo.” Ainda assim atribui o texto de Cavaco, que é apoiante do antigo comentador, a um desespero de Marques Mendes: Se anda um candidato assustado e trazer tudo e mais alguma coisa para cima da mesa, não sou eu de certeza.”

Em dia de Reis, Gouveia e Melo responde a Cavaco Silva e sugere que Mendes “está assustado”

Sobre a sondagem diária da TVI/CNN/JN TSF — que o coloca em segundo lugar a décimas do primeiro — Gouveia e Melo diz que “as sondagens não podem ser um instrumento político. Tenho combatido isso. Tenho dito que só há uma sondagem. Não é agora que me está a beneficiar, que vou falar.” E acrescenta: “As sondagens não podem manipular a opinião pública porque isso é contrário à democracia”.

Questionado sobre António José Seguro dizer que não tem experiência, Gouveia e Melo atira-se ao ex-líder do PS para dizer que “nestes tempos novos não pode haver candidatos titubeantes com discursos redondos.” E diz, para que não restem dúvidas, que está mesmo referir-se ao ex-líder do PS: “Estou a falar de um candidato de uma área socialista que, no passado, não defendeu a sua própria área. Defenderam determinados tipos de conceitos. Foi para além da troika, dando apoio a uma maioria que não precisava dele para nada.” Para Gouveia e Melo, Seguro é sinónimo de “insegurança, incapacidade de decisão.” E atira: “Não podemos ter como Presidente indivíduos por condicionados pela incerteza.”

Gouveia e Melo critica ainda, na mesma linha, os “candidatos que a única coisa que dizem são generalidades e croquetes” e insiste na frase que tem repetido para atacar Seguro e Mendes: “Um Presidente “não pode ser nem uma marioneta do Governo nem para fazer oposição ao Governo.”

Mesmo questionado pelos jornalistas sobre a sintonia de posições de Trump e André Ventura, o almirante evita ir ao choque com o candidato do Chega, limitando-se a dizer: “A questão não se coloca porque André Ventura não vai ser Presidente da República“.

Por estar no interior do país, Gouveia e Melo quis ainda sinalizar as desigualdades entre o litoral e o interior. Além disso, mostrou-se preocupado com o (não) acesso à informação das localidades do interior. “O problema foi levantado há umas semanas, houve muitas declarações, poucos resultados Estamos em risco de os jornais, imprensa escrita, não ser distribuída no interior aumentando o problema da coesão territorial. O Presidente não é o poder executivo, mas tem de contrariar com o magistério de influência”.

O dia de campanha de Gouveia e Melo terminou pouco antes do meio dia. O resto da tarde vai ser de viagem até Lisboa e de preparação para o debate a 11 na RTP, que começa às 22h00 para evitar sobreposição com a meia-final da Taça da Liga entre o Vitória Sport Clube e o Sporting.