Quando Alioune Ndoye foi lançado a partir do banco, aos 78’, o Sporting vencia por 1-0 a primeira meia-final da Taça da Liga. Quando o encontro terminou, aos 90+11’, o Vitória SC tinha virado tudo do avesso (1-2), garantindo a primeira presença na final da competição. Muito graças ao avançado senegalês, que fez os dois golos em tempo-recorde.

Directamente na base da vitória da equipa que foi ao Dragão reclamar um lugar na “final four” de Leiria, esteve uma reviravolta a compensar a noite inspirada de Charles, na baliza, e uma abordagem menos atenta dos centrais, permitindo uma liberdade de movimentos que Luis Suárez, superiormente servido por Trincão, tem o hábito de aproveitar.

Até ao golo dos “leões”, os minhotos estavam a conseguir lidar com um adversário forçado a retocar a defesa e a acomodar o jovem Flávio Gonçalves na linha da frente.

Uma estreia a titular que demorou a afinar, com o extremo esquerdo a ter que procurar diferentes caminhos, no meio e a lateral, para acertar e dar a dimensão pretendida ao ataque… onde Ioannidis parecia debater-se com alguns problemas.

O Vitória aproveitava para se insinuar na área de Rui Silva, ainda que sem o critério e capacidade de finalização ideais. Daí que o golo de Suárez, num minuto (13’) fatídico para a muralha vitoriana, tivesse funcionado como faísca que iluminou o futebol do Sporting.

Foi nesse período, coincidindo com a saída (por lesão) de Ioannidis, que a noite aqueceu, com Charles a fazer os possíveis para evitar que Luis Suárez e Alisson Santos, que rendeu o grego, aumentassem a vantagem.

Rui Borges pediu a Trincão que cedesse o corredor a Alisson , com a equipa a ganhar maior dinâmica, mesmo tendo que lidar com a reacção do adversário e com um momento em que só a luva de Rui Silva impediu um golo de placa de Abascal.

A vantagem magra dos “leões” alimentava a esperança do Vitória, que regressou animado pelo sentimento de chegar à final, com Charles a manter a equipa viva com nova defesa providencial a remate de João Simões, dando à equipa condições para criar constrangimentos suficientes aos bicampeões nacionais que começavam a justificar a igualdade.

Especialmente depois de novo golpe que levou Eduardo Quaresma ao tapete, num choque de cabeça com Samu, a forçar nova substituição e mais um cliente para o departamento médico dos “leões”.

Os últimos 20 minutos foram de forte ansiedade e nervos, o que se reflectiu na qualidade do futebol, apesar de o Sporting ter estabilizado e voltado a controlar as operações à entrada dos instantes finais.

Mais uma vez, o guarda-redes do Vitória emergiu para impedir que o Sporting fechasse a meia-final, sem que a formação de Guimarães desse mostras de abdicar de uma luta que lhe permitisse anular a desvantagem para forçar um desfecho diferente.

Atitude recompensada já em pleno período de descontos, com Ndoye a igualar (90+2′) após cruzamento da direita e a abrir uma perspectiva diferente para o jogo, que o próprio sentenciou com novo golo no último sopro (revisto pelo VAR), após uma arrancada tremenda de Saviolo. Segue-se novo jogo em Leiria, desta vez no sábado, mas os vitorianos vão ter de esperar 24 horas para conhecerem o adversário.