Francesco Farioli, treinador do FC Porto, concedeu uma entrevista à Sport TV e revelou uma história relacionada com Eustáquio, médio dos azuis e brancos.
«Às vezes acontece preparar o jogo apenas por vídeo ou preparar na manhã do jogo algumas coisas aqui, como 15 minutos no campo. Então, no final, o trabalho dos treinadores que estão a jogar em… grandes clubes que estão a jogar em competições europeias é, claro, acrescentar ideias, mas deixa-me dizer, na minha opinião, às vezes também tentar ser realmente eficiente no que escolher, no que fazer, porque não tens tempo, não muito, e precisas de ser, na minha opinião, realmente bom em ser eficiente a passar a mensagem», começou por dizer.
«E isto vai com a forma de passar a sessão de treino, o tempo que passas na sala de reuniões… como sabes, tornou-se como uma história bastante engraçada sobre a duração das nossas reuniões. Há uma história engraçada do Eustáquio que costuma dizer que estamos a fazer como séries da Netflix na nossa sala de reuniões… que, por sinal, tem sido um dos meus primeiros pedidos ao clube, ter uma sala de reuniões adequada. Acho que viste uma imagem no início, estávamos no ginásio, e agora o clube apoiou o meu pedido para construir um ambiente realmente agradável onde estamos a passar bastante tempo. É um dos lugares que é, para nós, mais importante porque lá construímos as nossas ideias, corrigimos as nossas ideias, confrontamo-nos uns aos outros», continuou.
«Então, sim, há tantas coisas que no final são fatores chave no longo prazo, que claro é acrescentar novas ideias, mas também às vezes fazer bem as coisas porque isso também é realmente importante: refinar, ir aos detalhes. E, sabes, nesta época mudamos bastante. Mudamos mais de 10 jogadores. Então, sabes, juntar as pessoas tão rápido, acho que tem sido algo realmente bom. E agora, claro, temos necessidade de melhorar, necessidade de fazer as coisas ainda melhor. Mas deixa-me dizer outro alvo: é não deixar cair o nosso padrão e a nossa também paciência. Às vezes quando o jogo vai… torna-se complicado, mantermo-nos no jogo, mantermos o foco e continuarmos a fazer as coisas bem e aumentar o ritmo», referiu.
Farioli deixou elogios a Froholdt, que também está na sua primeira época no FC Porto.
«Foi um jogador que eu não o conhecia. Então, quando o Presidente e o departamento de prospeção o mencionaram, eu fui ver alguns jogos, fiquei impressionado por algumas coisas. Mas para ser honesto, vê-lo em vídeo e vê-lo ao vivo, e ter a sua capacidade de se desenvolver tão rápido e de entender tão rápido, é algo que, honestamente, superou as minhas melhores expectativas. Então, mais uma vez, estou contente pela sua evolução, por tê-lo connosco e também o quanto ele está a crescer em termos de personalidade, liderança. E acho que… eu nunca esquecerei o primeiro jogo que ele jogou aqui no Dragão quando ele saiu… quer dizer, todo o estádio já estava com ele. E desde então acho que a ligação é algo que está a crescer. E sim, acho que ele é definitivamente um jogador com o ADN puro e absoluto do Porto. A definição está lá», disse, deixando igualmente palavras sobre Rodrigo Mora.
«Com o Rodrigo, se falamos sobre surpresas positivas, acho que esta tem sido outra. Rodrigo na época passada era o Golden Boy, a superestrela. Ele fez coisas irreais para um jogador da sua idade. E nesta época, claro, vindo do Mundial, algumas mudanças, novos jogadores e especialmente uma nova forma de jogar que requer uma certa adaptação. E para ele… primeiro para ele, mas acho que para toda a gente, para mim próprio também, para o clube, para os adeptos, tentar entender o que estava a acontecer não foi fácil. Mas especialmente não foi fácil para ele porque ele começou a época com o estatuto de superestrela. De alguma forma, no início, ele não tinha um papel importante ou não talvez um papel principal, ou o sentimento de que não era um papel principal. Sabes o que aconteceu no mercado, todos os rumores sobre a Arábia Saudita… uma quantidade massiva de dinheiro envolvida para o clube, para ele. E para ser honesto, quando falamos no final do mercado, fomos muito claros um com o outro, mais uma vez. Estabelecemos ou concordamos ou comprometemo-nos um com o outro sobre como queremos fazer as coisas nos próximos meses. E sabes, do meu lado é bastante fácil: o meu papel como treinador é trazer as pessoas juntas e ter as pessoas juntas para o melhor do clube. Idealmente tu queres ter sempre 25 jogadores que todos eles, como soldados, na mesma linha, mesma direção. Então acho que isto é o sonho de todos os treinadores. A parte difícil é encontrar jogadores, mas especialmente seres humanos capazes de aceitar o seu papel, capazes de aceitar decisões e capazes de desenvolver em áreas que não são o seu forte… então, para melhorar digamos nos seus pontos fracos. E este rapaz, uau… dia após dia, claro que não é uma progressão que fazes de 0 a 100 num dia, mas todos os dias mais e mais e mais e mais. O nível de sessão de treino… nunca, nunca mesmo, colocar uma má cara no treino ou no jogo. Aceitando jogar alguns minutos, começando no jogo… e para ser honesto, o seu impacto nos últimos jogos tem sido fantástico. A sua evolução para mim como jogador de futebol e a sua maturidade… para mim esta é a palavra que vai com o Rodrigo agora: maturidade. É maturidade porque ele sabe quais são os seus objetivos individuais e as coisas que ele precisa de ser melhor e as coisas que ele está a melhorar. Posso dizer-te que é um dos jogadores mais comprometidos com o staff em termos de desenvolvimento pessoal. Depois do jogo, todo o tempo ele está a partilhar com os meus assistentes algumas clips. Então ele é um dos jogadores a quem não precisas de mostrar os clips porque em casa ele já está a rever o seu jogo, analisando com, digamos, os nossos óculos de sol, na forma como com o filtro que nós vemos o jogo. E acho que ele está a fazer bem, está a fazer um ótimo trabalho e estou realmente grato e realmente orgulhoso de ter um jogador destas qualidades que se está a colocar ao serviço do clube. E no outro lado, a responsabilidade de ter um dos maiores talentos portugueses e a oportunidade de tentar desenvolvê-lo, de o tornar melhor… e mais uma vez, não tenho dúvidas de que a carreira do Rodrigo vai ser ótima, mas como ele já disse várias vezes: começando pelo desejo de fazer algo especial pelo FC Porto, que é o seu clube. E, claro, ele tem a ambição de celebrar coisas aqui com este clube e depois a sua carreira será, com certeza, uma carreira fantástica», atirou.
Farioli foi questionado sobre o momento marcante da época e recordou Jorge Costa e o seu legado.
«Acho que todos nós, embora eu não tenha tido muito tempo infelizmente para passar com ele… o que o Jorge é, foi, é e será para o Porto é muito claro. Tu cheiras a presença dele em todo o lado. O seu legado estará sempre aqui, não apenas na camisola número 2, mas na forma de ser, na forma de se comportar. Acho que o facto de todo o futebol português e internacionalmente, o tributo que toda a gente lhe deu, acho que diz muito sobre um lendário e um eterno capitão. No último dia do ano, no dia 31, eu estava em casa… e eu disse-te, temos o YouTube e o Porto Canal que está sempre aberto… e eu voltei no dia da minha apresentação e nos primeiros dias… então, desde que viajei de Amesterdão… e o Jorge estava em quase todas as imagens, estando lá a tentar ajudar-me e a tentar transferir o que é o Porto, o que o Porto representa e, na opinião dele, como eu deveria abordar esta experiência», disse, revelando algo dito por Jorge Costa que o tenha marcado.
«A mentalidade de trabalho árduo, o espírito, a ligação com a cidade, o facto de que aqui suar a camisola é o padrão não negociável. E sim, ele estava connosco todos os dias na sessão de treino, assistindo à sessão de treino, desfrutando dos jogadores, vendo os jogadores a sofrer, às vezes quase a vomitar perto do campo… e o que eu acho que vai… tem de ficar connosco e é por isso que acho que não é assim tão difícil para nós mantermos isto: após o jogo do Atlético de Madrid, um dos seus comentários que ele partilhou com o Tiago e o Henrique, e eles depois passaram para mim infelizmente no dia em que tudo aconteceu… o Jorge disse: “Nós temos uma equipa outra vez”. Sim. Então, acho que é a maior…», afirmou.