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Cláudio Neves Valente, de 48 anos, gravou vários vídeos após os homicídios de dois estudantes da Universidade Brown e do físico português Nuno Loureiro, em dezembro. As gravações foram encontradas num dispositivo eletrónico junto ao seu corpo, que foi descoberto pelas autoridades dias depois.

"Não vou pedir desculpa": português gravou confissão após ataque à Universidade de Brown e homicídio de Nuno Loureiro

Providence Police

De acordo com as mais recentes informações do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, divulgadas esta terça-feira, Cláudio Neves Valente terá gravado pelo menos quatro vídeos em português logo após os crimes, que ocorreram nos dias 14 e 16 de dezembro.

Português planeou os crimes durante três anos

Cláudio Neves Valente começou por admitir que vinha a planear os ataques há bastante tempo: “Está feito. Foram seis meses… não, seis meses não, seis semestres. Eu já tinha planeado isto há mais tempo.”

Disse que o seu único objetivo era agir “mais ou menos” nos seus próprios termos e garantir que não seria ele a sofrer mais com os crimes. Considerou a forma como cometeu os homicídios “um pouco incompetente”, mas acrescentou que, pelo menos, “algo foi feito”.

“Não vou pedir desculpa porque, ao longo da minha vida, ninguém alguma vez se desculpou sinceramente comigo. Nas poucas vezes em que pareceu ter acontecido, mais tarde tive acesso às pessoas em privado, e as conversas que tivemos mostraram que tudo era falso. Por isso, não vão conseguir nada da minha parte”, afirmou.

Cláudio Neves Valente afirmou que não se importava com a forma como era julgado nem com o que pensavam dele e que já antecipava a maioria das reações. Referiu ter gostado, em particular, de ter sido chamado de “animal” por Donald Trump, comentário com o qual concordou, afirmando: “Eu sou um animal e ele também é”.

Garantiu ainda que não sentia amor nem ódio pelos Estados Unidos, sublinhando que não tinha ódio por ninguém, incluindo por Portugal ou por outros locais onde já tinha estado.

Motivações continuam por esclarecer

Ao longo dos quatro vídeos, não foram mencionados os motivos que o levaram a cometer os crimes, sendo apenas referido um confronto com uma testemunha na Universidade Brown, que acabou por conduzir à sua identificação dias mais tarde.

“Eu fui confrontado”, afirmou Cláudio Neves Valente, acrescentando que a testemunha conseguiu ver a matrícula do seu carro.