Na fotografia principal deste artigo, veem-se Nicolás Maduro e a mulher, Cilia Flores, algemados, depois de aterrarem num heliporto em Manhattan, a caminho do tribunal federal no bairro de Manhattan, em Nova Iorque, a 5 de janeiro de 2026

Responsáveis da administração Trump disseram aos congressistas, na segunda-feira, que o até agora presidente venezuelano Nicolás Maduro e a mulher, Cilia Flores, ficaram feridos, uma vez que bateram com a cabeça a fugir das forças norte-americanas que tentavam prendê-los, apurou a CNN junto de fontes próximas do processo.

Maduro e Flores começaram a correr, tentando esconder-se atrás de uma pesada porta de aço, dentro do complexo onde viviam. Contudo, a ombreira da porta era baixa, levando-os a bater com a cabeça ao tentar escapar, informaram os responsáveis, segundo as mesmas fontes. Os agentes da Força Delta detiveram-nos e prestaram-lhes os primeiros socorros depois de terem sido retirados do complexo, acrescentam.

O secretário de Estado Marco Rubio, o secretário da Defesa Pete Hegseth, o chefe do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine, a procuradora-geral Pam Bondi e o diretor da CIA, John Ratcliffe, reuniram-se com importantes congressistas, durante mais de duas horas, na noite de segunda-feira.

Maduro e a mulher compareceram em tribunal esta segunda-feira com ferimentos visíveis. O advogado de Flores realçou ao juiz que a cliente tinha “sofrido ferimentos significativos” durante o rapto. “Acredita-se ainda que possa ter uma fratura ou uma contusão grave nas costelas”. O advogado solicitou um raio-X e uma avaliação física completa para garantir a saúde da sua cliente daqui em diante.

Durante a sessão, Flores cambaleou e inclinou a cabeça. Maduro teve dificuldades em sentar-se e levantar-se em determinados momentos, segundo os repórteres que estiveram presentes no tribunal. Esboços feitos no local mostram Flores com ligaduras na cabeça.

As fontes ouvidas pela CNN referem que os funcionários governamentais informaram os congressistas, na segunda-feira, que o ferimento de Flores na cabeça era ligeiro.

A CNN solicitou comentários aos advogados de Maduro e de Flores sobre os dados mais recentes relativos aos seus ferimentos.

Alguns agentes da Força Delta também ficaram feridos durante a operação, na sequência de um grande tiroteio, uma vez que a força de ação rápida cubana estava junto do complexo onde vivia Maduro, explicaram responsáveis governamentais. As tropas foram atingidas por balas e estilhaços. Contudo, os ferimentos não foram fatais. Espera-se que venha a recuperar na totalidade, segundo os mesmos responsáveis.

Havia quase 200 militares norte-americanos em Caracas durante a operação, informou Hegseth, na segunda-feira, num estaleiro em Newport News, Virgínia.

Os responsáveis que apresentaram as informações não tinham uma estimativa precisa de quantos venezuelanos ou cubanos foram mortos durante a operação. Todavia, o Governo de Cuba afirmou, também na segunda-feira, que 32 dos seus militares e polícias foram mortos. O chefe de gabinete adjunto de Trump para os assuntos políticos, Stephen Miller, referiu a Jake Tapper, da CNN, na segunda-feira, que o número provavelmente seria superior, descrevendo o sucedido como um “intenso tiroteio”.

“A grande maioria das baixas e mortes infligidas foram contra a guarda cubana, que exercia controlo sobre o povo da Venezuela”, disse Miller.

Durante a conferência de imprensa, as autoridades insistiram que a captura de Maduro não foi uma operação de mudança de regime, dado que o Governo venezuelano permanece praticamente intacto, sendo agora liderado pela vice-presidente Delcy Rodríguez, segundo fontes familiarizadas com esta reunião. Rubio afirmou que o governo americano a considera mais pragmática do que Maduro, sendo alguém com quem os EUA podem trabalhar. Já a líder da oposição, María Corina Machado, seria incapaz de exercer controlo sobre as forças de segurança do regime, consideraram as mesmas fontes.

A decisão política do governo em relação a Rodríguez assentou numa análise confidencial da CIA sobre o impacto da saída de Maduro da presidência e as implicações a curto prazo da sua possível destituição, segundo uma fonte familiarizada com o assunto. Não se tratava de uma recomendação baseada na expectativa de mudança de regime na Venezuela, acrescentou a mesma fonte.

O documento de inteligência, mantido em sigilo, foi encomendado por altos funcionários do governo. Espera-se que a CIA continue a fornecer recomendações semelhantes sobre a situação da liderança na Venezuela no futuro, segundo várias fontes ouvidas pela CNN.

Rubio tem sido o principal ponto de contacto da administração Trump com Rodríguez. O presidente Donald Trump disse à NBC News, esta segunda-feira, que Rubio “fala fluentemente com ela em espanhol” e que a “relação entre ambos tem sido muito sólida”.

Os responsáveis disseram ter mantido contactos com Delcy Rodríguez, bem como com o irmão Jorge Rodríguez, que é presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, durante meses. Contudo, descreveram estes contactos com o regime como uma tentativa de provocar uma mudança de comportamento, não como um pedido para que ajudassem a derrubar Maduro.

Rodriguez é também a ministra com a pasta do petróleo na Venezuela. A administração Trump espera que trabalhe com os EUA na reconstrução das infraestruturas petrolíferas da Venezuela, permitindo que as empresas americanas operem lá no futuro. Ainda assim, não há nenhum acordo formal em vigor com Rodríguez, disseram as mesmas fontes. Há apenas uma expectativa de que a campanha de pressão dos EUA, que inclui uma frota de navios de guerra nas Caraíbas, seja uma influência suficiente na tomada de decisões.