Todos os anos, o calendário oferece pequenas oportunidades para abrandar o ritmo, sair da rotina e descobrir novos destinos. Em 2026, essas oportunidades multiplicam-se. Ao contrário de anos anteriores, onde muitos feriados “morriam” ao fim de semana, este ano traz uma configuração curiosa: muitas terças e quintas-feiras, o que exige negociação antecipada, mas oferece recompensas maiores (as famosas pontes de 4 dias).
Mais do que contabilizar dias, a chave está na estratégia. Onde vale a pena gastar dias de férias? Onde basta um fim de semana prolongado? Eis o plano de batalha para 2026.
Fevereiro: o carnaval de inverno
Em 2026, o Entrudo chega cedo. O feriado é a 17 de fevereiro (terça-feira).
A estratégia: é a primeira ponte real do ano. Se garantir a segunda-feira (dia 16) de férias, ganha um bloco de 4 dias consecutivos. É a altura ideal para quem não teve férias no Natal e já sente o cansaço acumulado.
Para onde ir: com o Carnaval tão cedo, as estâncias de ski na Serra Nevada ou nos Pirenéus estão no auge da neve e com excelentes condições.
![]()
Lanzarote, nas Ilhas Canárias
Créditos: Foto de JP Files | Unsplash
Fuga para o sol: se o frio aperta, a Madeira ou as Canárias (Tenerife/Lanzarote) são as opções mais seguras a curta distância para apanhar 20ºC.
A folia clássica: Veneza (Itália) ou Nice (França) têm os seus carnavais históricos a decorrer, mas exigem reserva com meses de antecedência.
Abril: a Páscoa e o “despertar” da primavera
A Sexta-feira Santa calha a 3 de abril.
A estratégia: é um fim de semana prolongado automático de 3 dias, mas se tiver crianças, este período coincide com as férias escolares, permitindo esticar a viagem para uma semana completa.
Para onde ir: Sevilha, em Espanha. É a semana ideal para ver a intensidade da Semana Santa, mas prepare-se para preços altos. Pode optar também por Amesterdão, nos Países Baixos, uma vez que o início de abril é o pico da época das tulipas.
![]()
O parque Keukenhof, nos Países Baixos, estará aberto.
Créditos: Brett Beutell | Unsplash
City Break em família: cidades como Londres ou Copenhaga começam a ter dias longos e parques verdes, sendo ideais antes da confusão do verão.
Maio: o fim de semana do “bem-estar”
O Dia do Trabalhador (1 de maio) calha a uma sexta-feira.
A estratégia: sem gastar dias de férias, tem 3 dias livres. É o momento perfeito para viagens de “baixo stress”: curta distância, sem voos complicados, focadas em natureza e gastronomia.
Para onde ir: as cascatas do Gerês estão cheias de água e o Douro já está verde, mas sem o calor sufocante de agosto. Marraquexe, em Marrocos fica a um voo curto de distância e coloca-o num mundo diferente. Em maio, o calor já convida a piscina, mas ainda se consegue passear nos souks. Considere igualmente Menorca, em Espanha. A mais tranquila das Baleares é perfeita nesta altura. A água ainda pode estar fresca, mas a ilha está vazia e florescida.
![]()
A beleza dos detalhes em Marraquexe
Créditos: Oussama sabri | Unsplash
Junho: o mês do “Tetris” (e a grande oportunidade)
Junho é a jóia da coroa de 2026. Temos o Corpo de Deus a 4 de junho (quinta-feira) e o Dia de Portugal a 10 de junho (quarta-feira).
A “super estratégia”: aqui é preciso ousadia. Se tirar 3 dias de férias (5, 8 e 9 de junho), consegue unir os dois feriados e o fim de semana pelo meio, obtendo uma semana inteira de férias (de 4 a 10 de junho).
Nota para o norte: no Porto e Braga, o São João (24 de junho) é uma quarta-feira. Mais uma oportunidade para partir a semana ao meio. Este ano, o dia de Santo António (feriado municipal em Lisboa e em vários outros concelhos do país) calha a um sábado, dia 13 de junho.
![]()
Quem resiste a uma praia na Sardenha?
Créditos: Fadi Al Shami | Unsplash
Para onde ir: Sardenha, Algarve ou Costa Vicentina. Usufrua das praias europeias antes de as escolas acabarem e de os preços duplicarem em julho/agosto. Ou as ilhas açorianas Flores ou Corvo. A época das hortênsias começa. É a altura ideal para explorar as ilhas mais remotas com tempo estável.
Agosto: o desafio do verão
O feriado de 15 de agosto calha a um sábado. Não há pontes.
A estratégia: sem a “ajuda” do feriado, a melhor tática é jogar com a contra-sazonalidade. Evite o sul da Europa na primeira quinzena.
Para onde ir: destinos no norte de Espanha como Astúrias ou Cantábria são conhecidos por se comer bem e dormir à fresca. Pode ser mais ousado e visitar a Escandinávia. Suécia ou Noruega oferecem dias intermináveis e natureza bruta, longe das ondas de calor do Mediterrâneo.
![]()
Descubra a beleza do verão em Hovden, na Noruega
Créditos: Vidar Nordli-Mathisen | Unsplash
Outubro: a redenção de outono
Depois de um verão longo, a Implantação da República (5 de outubro) oferece uma segunda-feira livre.
A estratégia: fim de semana de 3 dias para celebrar a entrada no outono. É a melhor altura do ano para turismo gastronómico e cultural.
Para onde ir: aproveite as vindimas tardias na Toscana (Itália) ou Bordéus (França), que estão tingidas de dourado e vermelho. Na Europa Central opte por Praga, Budapeste ou Viena. O frio ainda não morde, as árvores estão lindas e as cidades recuperam o ritmo local.
![]()
Vinho, Bordéus e as pessoas que mais gostamos
Créditos: Foto de Jennifer Yung | Unsplash
Dezembro: as pontes de compras e mercados
Com a notícia triste de que o 1 de novembro (Dia de Todos os Santos) calha a um domingo, o ano fecha com uma configuração de luxo: duas terças-feiras feriado (Restauração a dia 1 e Imaculada Conceição a dia 8).
A estratégia: tem duas opções. A primeira é a “ponte simples”. Tire a segunda-feira (30 nov ou 7 dez) para um fim de semana de 4 dias. Ou a “ponte dupla” para os mais audazes. Tirar a semana pelo meio permite uma viagem de longo curso antes do Natal.
Para onde ir: abrace a época e aproveite os mercados de Natal com a clássica rota da Alsácia (Estrasburgo/Colmar) ou da Alemanha (Colónia/Nuremberga). Encaixam perfeitamente na ponte de 4 dias. Pode ainda visitar Nova Iorque ou Londres e desfrutar das luzes, fazer as compras e sentir o espírito natalício cosmopolita.
![]()
O calor de dezembro no Rio de Janeiro
Créditos: João Pedro Vergara | Unsplash
Se optar pela ponte dupla, tem tempo suficiente para ir dar um mergulho ao calor em Cabo Verde ou Brasil e voltar bronzeado para a Consoada (é a uma sexta-feira, dando mais um fim de semana prolongado).
Ano Novo 2026/27: começar com o pé direito
E para fechar o ciclo, o dia 1 de janeiro de 2027 também calha a uma sexta-feira.
A estratégia: é o cenário perfeito para quem gosta de festejar a passagem de ano sem olhar para o relógio. A recuperação está garantida com um fim de semana de 3 dias automático, sem precisar de pedir o dia seguinte.
Para onde ir: a Madeira é um clássico dos clássicos. Com o dia 1 a ser sexta-feira, justifica-se viajar na quarta ou quinta e ficar o fim de semana para ver o fogo de artifício. Se gostar do frio, nada bate o charme de começar o ano na Serra da Estrela ou junto à lareira num turismo rural nas Beiras.
![]()
Final de dezembro é na Serra da Estrela
Créditos: Rodrigo Dias | Unsplash