Ora, continuou o ex-ministro, nesta “situação internacional muitíssimo complexa”, Gouveia e Melo seria, entre os principais candidatos, “a pessoa mais bem preparada, de longe para muito longe, para poder enfrentar essas dificuldades.” E ataca mesmo diretamente os adversários, que nomeia: “E quando olho para os outros candidatos e os percorro um a um: eu acho que mete medo. Eu não sou capaz de imaginar que o doutor Marques Mendes, ou o doutor Seguro, ou o doutor Ventura, a enfrentarem o que quer que seja, quanto mais um poderio das nações, ou a contribuírem para uma decisão inteligente da Europa, em que os integramos — e que tão necessária é.” Para Correia de Campos todos esses seriam sinónimo de “impreparação”, pedindo para que não se desperdice “a possibilidade agora, dentro de poucos dias, de escolher uma pessoa que está preparada para enfrentar esses problemas, Henrique Gouveia e Melo.”
Horas depois, já esta terça-feira, a narrativa — que destaca as qualidades do candidato e, ao mesmo tempo, dramatiza os impactos da situação internacional — era continuada por um dos apoiantes da primeira hora de Henrique Gouveia e Melo, que escreveu no 24horas que Gouveia e Melo tem a “experiência que conta” para liderar o País no “instável mundo em que vivemos” e que acordou para 2026 “surpreendido com uma ‘cirúrgica’ operação militar dos EUA na Venezuela, com a extração do Presidente Maduro e da sua esposa”.
André Pardal atira ao “discurso sonso de quem cínica e erradamente alarmou os portugueses para um discurso (alegadamente) belicista do Almirante Gouveia e Melo, mas, que viu agora a realidade dar-lhe toda a razão.” O advogado e antigo deputado do PSD lembra que foi Gouveia e Melo “ainda no desempenho das anteriores funções de Chefe do Estado-Maior da Armada” que “alertou para a instabilidade internacional, o perigo que isso representava e o que Portugal (com a sua dimensão atlântica, as suas alianças e os seus espaços de influência externa) deveria fazer, sem hipocrisias.” E termina a dizer que “neste mundo comprovadamente inseguro” os portugueses têm de escolher entre quem “andará deslumbrado ao reboque dos ventos soprados por outros, ou, alguém que verdadeiramente conhece a realidade internacional e está preparado para tomar decisões nessa matéria, com todos os seus perigosos desafios”.
O fator Maduro só levou a campanha a intensificar aquela que considera ser uma vantagem do almirante face aos adversários, mas desde o início do ano que Gouveia e Melo vem insistindo na necessidade de Portugal se preparar para a nova política da Administração Trump. “Vivemos tempos perigosos, com atores poderosos a tentar subverter a ordem mundial em função dos seus interesses. A ameaça já não vem apenas do Leste”, escreveu no seu manifesto, tendo alertado noutras ocasiões, por exemplo, para a perigosa ameaça de Washington sobre a Gronelândia.