A cidade vietnamita de Bac Ninh, antes conhecida por seus campos de arroz e tradições folclóricas, tornou-se um dos principais símbolos da industrialização acelerada do Vietnã. Impulsionada pela saída de fábricas da China em meio à guerra comercial com os Estados Unidos, que levou muitas empresas a realocar produção para o Sudeste Asiático e outros países, a região viveu um crescimento rápido, atraindo multinacionais e bilhões de dólares em investimentos estrangeiros. As informações são da ABC News.
Localizada ao norte de Hanói, Bac Ninh se transformou em um polo estratégico da cadeia global de manufatura, especialmente nos setores de eletrônicos e tecnologia. A instalação de fábricas de grandes grupos internacionais, como a Samsung, marcou o início de um ciclo de expansão que se intensificou com a transferência de empresas chinesas em busca de alternativas às tarifas norte-americanas.
Vista aérea de Bac Ninh (Foto: WikiCommons)
O movimento ajudou a consolidar o Vietnã como um dos maiores beneficiários das tensões comerciais entre Washington e Beijing. Além de capital estrangeiro, o país passou a absorver parte da produção que antes estava concentrada na China, fortalecendo sua posição no comércio internacional.
No entanto, o sucesso trouxe novos desafios. O aumento dos custos trabalhistas, a escassez de mão de obra qualificada e limitações de infraestrutura começam a pressionar o modelo de crescimento acelerado. Empresas disputam trabalhadores oferecendo salários mais altos, bônus e incentivos adicionais, o que eleva os custos operacionais e reduz a margem de competitividade.
Apesar dos investimentos em rodovias, ferrovias e zonas industriais de alta tecnologia, o Vietnã ainda enfrenta dificuldades para acompanhar a escala, a logística e o ecossistema industrial da China. Especialistas apontam que décadas de investimentos chineses em cadeias produtivas não podem ser replicadas em curto prazo.
Ao mesmo tempo, países como Indonésia e Filipinas intensificam esforços para atrair indústrias, oferecendo incentivos fiscais e mudanças legais para facilitar investimentos estrangeiros. Essa concorrência regional pressiona o Vietnã a avançar para setores de maior valor agregado, como eletrônicos avançados, produtos farmacêuticos e energia limpa.
O governo vietnamita aposta na modernização industrial e na diversificação de mercados de exportação, reduzindo a dependência dos Estados Unidos e ampliando vendas para América Latina, África, Oriente Médio e Índia. A meta oficial é transformar o país em uma economia de alta renda até 2045, nos moldes dos Tigres Asiáticos.