O Presidente dos EUA, Donald Trump, e a sua equipa estão a discutir opções para a aquisição da Gronelândia, e o recurso às forças militares norte-americanas para alcançar esse objectivo é “sempre uma opção”, afirmou a Casa Branca à Reuters esta terça-feira, 6 de janeiro.

A ambição de Trump em transformar a Gronelândia num centro estratégico dos EUA no Ártico — região que desperta um interesse crescente por parte da Rússia e da China — foi reavivada nos últimos dias, logo após a detenção, em Caracas, do líder venezuelano, Nicolás Maduro, por forças norte-americanas. No entanto, a região sob administração da Dinamarca tem reiterado sucessivamente que não deseja integrar os Estados Unidos.

Em comunicado enviado à Reuters, a Casa Branca sublinhou que Trump encara a aquisição do território como uma prioridade de segurança nacional, necessária para “dissuadir os nossos adversários na região do Ártico”.

“O presidente e a sua equipa estão a discutir uma série de opções para prosseguir este importante objetivo de política externa e, naturalmente, a utilização das forças militares está sempre à disposição do comandante-em-chefe”, declarou a Casa Branca.

Uma alta entidade oficial dos Estados Unidos confirmou àquela agência noticiosa norte-americana que as discussões sobre formas de adquirir a Gronelândia estão em curso na Sala Oval e que os conselheiros avaliam diversos cenários.

As declarações de apoio à soberania da Gronelândia feitas por líderes da NATO não parecem demover o presidente, segundo a mesma fonte. “Este assunto não vai desaparecer”, afirmou o responsável, sob anonimato, referindo-se ao empenho do líder norte-americano em adquirir o território durante os três anos que restam do seu mandato.

As opções em análise incluem a compra directa da Gronelândia ou a formação de um Pacto de Livre Associação (COFA) com o território. Um acordo COFA ficaria aquém da ambição total de Trump de tornar a ilha de 57 mil habitantes parte integrante dos EUA. Até ao momento, não foi avançado qualquer valor para a potencial compra.

“A diplomacia e a capacidade de negociar são sempre as primeiras opções do presidente. Ele adora negócios. Assim, se puder ser feito um bom negócio para adquirir a Gronelândia, esse será o seu primeiro instinto”, referiu a fonte oficial.

Membros da administração argumentam que a ilha é crucial devido às suas reservas de minerais essenciais para aplicações militares e de alta tecnologia. Estes recursos permanecem por explorar devido à escassez de mão-de-obra, infra-estruturas limitadas e outros desafios logísticos.

Esta terça-feira, líderes das principais potências europeias e do Canadá uniram-se em apoio à Gronelândia, defendendo que a ilha ártica pertence ao seu próprio povo.