A notícia chegou de forma discreta e apanhou muitos clientes de surpresa. A Mauritânia Grill, uma das marisqueiras mais conhecidas de Matosinhos e uma presença histórica na primeira linha de mar de Leça da Palmeira, anunciou o encerramento após mais de três décadas de funcionamento. O encerramento foi revelado nas redes sociais esta segunda-feira, 5 de janeiro, através de um comunicado publicado pelo próprio restaurante.
“O Mauritânia Grill encerra, mas fica a gratidão profunda por cada cliente que nos escolheu, por cada amigo que fez da nossa casa um ponto de encontro, por cada parceiro que caminhou connosco e, acima de tudo, por cada elemento da equipa que deu o melhor de si, todos os dias”, lê-se na mensagem partilhada pela equipa. O texto termina com uma despedida sentida: “O Mauritânia Grill despede-se, mas a marca que deixou continuará viva em cada um de nós.”
Se o anúncio foi repentino, a decisão de pôr fim a esta história vinha a ser discutida há bem mais tempo. Segundo Nuno Rocha, sócio-gerente do restaurante, o encerramento resulta de “um conjunto de fatores” que se foram acumulando ao longo dos últimos anos. “Não é por nenhum motivo económico, não é por nada. É simplesmente um conjunto de fatores que levaram à decisão”, sublinha.
O Mauritânia Grill abriu em 1992 e chegou a ser um dos maiores espaços do género na região. No verão, com a esplanada, tinha capacidade para cerca de 400 pessoas. Para isso, o parque de estacionamento adjacente era essencial. “Estamos a falar de um restaurante que no verão chegava a ter cerca de 500 carros por mês a passar pelo parque”, explica o responsável. Esse parque, contudo, nunca pertenceu à sociedade. Era um terreno privado, utilizado há muitos anos, que acabou por ser vendido para dar lugar a um hotel.
“Quando o terreno foi vendido, ficámos sem parque de estacionamento. E para um restaurante desta dimensão, isso é fundamental”, refere Nuno Rocha. A situação arrasta-se há cerca de três anos e acabou por pesar de forma decisiva no futuro do espaço.
A isto juntaram-se outros fatores estruturais. O chef e sócio fundador chegou à idade da reforma, o que implicaria uma mudança profunda na sociedade. Ao mesmo tempo, o edifício precisava de obras e de um investimento significativo para continuar a funcionar nos mesmos moldes. “Tínhamos um dilema: investir, reformular o conceito e tornar o restaurante mais pequeno, ou seguir outro caminho”, resume.
Durante esse período, foram surgindo várias propostas para a aquisição do imóvel, num contexto em que a zona se tornou particularmente atrativa para a promoção imobiliária. “Ao final de três anos, teve de se tomar uma decisão”, explica o sócio-gerente. “Ou gastávamos dinheiro a renovar, com ameaças sérias à atividade ou optávamos pela imobiliária.”
A escolha acabou por recair nessa segunda opção. O imóvel pertence a Joaquim da Rocha, sócio principal do Mauritânia Grill, que mantém outros restaurantes com o mesmo nome em Matosinhos e que também atua na área imobiliária. “Trinta e tal anos depois, optou-se pela imobiliária”, resume Nuno Rocha.
O futuro do espaço já está definido. Segundo o responsável, no terreno onde funcionava o restaurante vai nascer um edifício de habitação. Já o antigo parque de estacionamento dará lugar a um projeto hoteleiro que está aprovado e deverá avançar em breve.