Luís Maia avançou, na “Análise Criminal” do programa da SIC “Casa Feliz”, “informações que podem eventualmente colocar um ponto final, ou quase colocar um ponto final em todo o mistério que tem envolvido” o desaparecimento de Maycon Douglas. Ou seja, no matutino da estação de Paço de Arcos foi revelado que as “autoridades acreditam em suicídio”.

O repórter da SIC falou, inicialmente, sobre a suposta discussão que o jovem teve com alegada namorada, depois de ambos saírem do bar onde passaram grande parte da madrugada do passado dia 31 de dezembro.

“Um dos donos do bar terá vindo cá fora tentar amenizar a discussão. O que acontece a seguir ainda permanece envolvido em algum mistério. Terão saído dali os dois, Maycon e a rapariga, na direção da casa dele. Nessa casa, ou ali perto, terá havido mais um momento de algum desentendimento entre eles. Depois, o rapaz pega na sua viatura e vem aqui para este local. Para se chegar aqui, teve que passar por esta estrada. Há um caminho alternativo que é conhecido pelos moradores da Nazaré, mas, a determinada altura, teve que passar numa zona que tem uma cancela. Deve ter contornado a cancela ligeiramente, ainda que lhe possa ter batido. Há um espaço de cerca de 1,70 metros entre a cancela e o muro que fica ali ao lado e o carro de Maycon tinha 1,74 metros de largura. Portanto, pode ter batido ligeiramente na cancela, mas conseguiu chegar aqui. Às 05:29 horas da manhã, uma câmara – que mostra esta parede do Forte de São Miguel Arcanjo da Nazaré – mostra uma luz branca que, ao que tudo indica, será de um farol de um carro. Depois, essa luz vira para a direita. Não se vê a viatura em altura alguma, mas percebe-se que essa luz aponta para a direita e o que temos à direita? A Praia do Norte. O local onde foi encontrada a viatura de Maycon na água, a seis metros de profundidade”, referiu Luís Maia.

“Alguns amigos de Maycon não acreditam que ele tenha sido capaz de tirar a própria vida, porque tinha planos, que tinha tudo e mais alguma coisa para se manter por cá. Algumas pessoas têm dado conta que, eventualmente, alguém lhe poderia ter feito mal e que Maycon poderia estar, ainda, na mala do carro. A informação a que tivemos acesso e que diz respeito a esta investigação dá a ideia contrária. Em primeiro lugar, a viatura que está ali em baixo está com uma mudança engatada. Ou seja, tudo indica que viesse a ser efetivamente conduzida. Um dos cenários de a viatura ter sido empurrada falésia abaixo fica praticamente afastado, tendo em conta estas circunstâncias. Depois, tanto quanto sabemos, não há corpo, só objetos pessoais, designadamente um casaco de Maycon, na viatura. Sabemos que os acessos ao carro estavam comprometidos. Quer dizer que uma porta ou um dos vidros estaria aberto ou partido. Com a corrente que aqui existe, seria plausível que o condutor daquela viatura, neste caso eventualmente Maycon Douglas, pudesse ter sido levado pela corrente do mar, ao contrário da viatura que ficou depositada no fundo. Portanto, a informação é que houve um exame minucioso à viatura. A teoria de que poderia estar um corpo na mala do carro estará praticamente afastada neste momento por parte da investigação. A teoria de que alguém terá empurrado a viatura, também está praticamente afastada, porque não estava em ponto morto – mais fácil de empurrar e de atirar. Ainda que isso tivesse acontecido, a morfologia desta falésia poderia ter imobilizado imediatamente o carro e não o ter levado para a água. E por que é que o casaco também não foi levado pela água? O casaco aparentemente terá ficado preso nos outros componentes do habitáculo do carro. Ainda será necessário aguardar pelas conclusões finais deste inquérito”, continuou o repórter.

“O que é certo é que mesmo com todos os indícios e desconfianças acabam por ser, de alguma maneira, contraditas ou rebatidas pelas conclusões que a investigação encontrou neste momento. O mistério ainda está por resolver, naturalmente”, findou.